Hoje Eu Resolvi Escrever O meu último poema. Nunca fui, na verdade, um grande escritor. Apenas, gastei as palavras. E palavras não são como ecos na vastidão, para reproduzir tolices. Afinal, transformar as coisas é uma ambição bem distinta de apenas retratá-las. E entre esse aspirar/querer, revisito Bachelard: "A palavra fala".
Um último poema não é, tampouco, como uma carta de adeus... - Quando os amores ficam congelados na frivolidade de um beijo.
Bem que esse último poema, poderia ser um tratado de lisura e posteridade, para que eu pudesse findar com honra. Uma morte literária, simplesmente, graciosa. No entanto, onde deixar a falsidade peculiar dos homens de minha espécie?. E por esse ser um atributo indissociável, não seria de todo verdadeiro. Além do quê: desejar é pecar!
E se o meu último poema fosse assim, tão cheio de virtudes... – Eu não teria por que deixar de ser poeta, visto que conservaria a vaidade; ao mesmo tempo em que exercitaria a tolerância. Mas, esses também seriam princípios da mediocridade; uma certidão de inabilidade... - Ao invés de um conceito legítimo do que já se mostra malogrado.
Melhor, mesmo, é parar de inventar dramas; e admitir uma natureza, deveras, banal e sem inspiração... – Embora, consciente da força dos versos (nada a ver com auto-piedade). Um último poema é, quem sabe, um último suspiro.
E se tudo tem um fim... - O que além de ser um alento; é, também, uma certeza... – Haveria de chegar a minha hora. O choro miúdo do sepultamento é a dor textualizada; cujo roteiro, oferece-me o esquecimento, antes mesmo da saudade... - Assim termina o meu derradeiro ato: Um arremate franco de quem jaz na frialdade das letras.
Misael Nóbrega - Professor e Jornalista