Subindo a Pedro Firmino, em direção ao mercado Darcílio Wanderley... - Ia a vendedora de castanhas. Por ser miscigenada, a feira sugeria muitos boatos. Assim, todos os "fuxicos" eram dela. O decote, que vez por outra, insinuava os mamilos; a barriga com seu umbigo desafiador; as sacudidelas da bacia, quando expunham as coxas... Contribuíam para as maledicências. Porém, a pubescente não merecia os apelidos pejorativos. Ela não era uma exibicionista, por assim dizer.
A feira nos proporciona uma experienciação quase que apoteótica... A vida pulsa discrepante, naquele aglomerado de restos: - E, em meio a essa amálgama, aquela juvenil adornava o feio. Castanha! Castanha! Os fregueses degustavam a iguaria sem apartar os olhos da menina. O seu jeito lascivo provocava o ambiente, naturalmente, conturbado. Acercava-se dos fregueses com fascinação; e agregava ao magusto uma hilaridade, como se quele fosse o melhor dos seus sorrisos.
No empório de Antônio Américo; fingi-me de interessado por um cordel, apenas para observá-la, mesmo de soslaio. Ela parecia não deixar que a fitassem, como se tímida fosse... – Veio até mim. – Castanha? – Não, obrigado!. – Prove!, - Insistiu.– Aceitei, encabulado. A danada tinha persuasão,– Muito embora, usasse de forma inconsciente. Não queria acreditar que existisse maldade...
Foi só me distrair, para perdê-la entre as bancas da feira -Que, aos sábados, engolia às ruas adjacentes por perversão e costume. Perguntei o nome daquela moça que escamoteava por ali, com sua bacia presa às ancas, provocando a libido alheia – Mas, ninguém sabia! – Era verdade. Pra quê um nome? A fulana tinha ao seu favor, o mistério; portanto, uma afortunada.
A minha ousadia, ao mesmo tempo, divisava o que era descabido. Seguimos caminhos separados. Mesmo hoje, passados vários anos, quando volto ao mercado da cidade de Patos, Paraíba, procuro, em cada rua, beco ou viela pela vendedora de castanhas. Talvez querendo emendar o que ficou quebrado ou quem sabe libertar a mim mesmo do que se fez passado...
– E, quando não a encontro, penso: a este lugar está faltando um pouco de graça...É isso, um pouco de graça!
Professor e Jornalista