...E o assunto que predomina é a crise, corrupção, violência em demasia, ataques, mortes na praia, conflitos, roubos, tribulações.
Por uns dias fiz silencio de janela fechada e tristonha. Silêncio de adoecimento grave. Voltei aos livros, reli versos, conversei mais com a filha, replantei flores. Tirei todas as lagartas que roíam o pé de manacá e as levei para um local arejado com alimento e luz. Daqui a pouco teremos lindas borboletas!
Enchi baciazinhas ordinárias com água para as aves passantes - os reservatórios estão cada vez mais secos e as bichinhas sofrem -.
Há muito não vejo TV. Há tempos identificamos o esvaziamento de algumas antigas ternuras.
Escutamos desconsolos fúnebres, vocações debilitadas. Visualizamos atitudes insana e deleites loucos. Em alguns olhares percebemos corações quietos feito brejo esturricado. Murchos, puxando suspiro nas inquietações das dúvidas.
Nesta semana ao final de uma terapia que realizamos com famílias, uma mãe que chorava doloridamente pela inserção da filha menor no mundo das drogas, nos questionou em qual ponto na vida da filha ela parou com os acertos.
Por falta de resposta a abracei com amor e demora e lembrei-me de uma mensagem que havia recebido naquele mesmo dia:
“ Os filhos escorregam de nossas mãos quando não oramos por eles nem com eles. Quando nossas atitudes negam nossas palavras. Quando não colocamos limites para suas ações. Quando confundimos fidelidade com cumplicidade. Quando não temos tempo para ouvi-los”.
A crise, a corrupção, a escassez, a desesperança e tempestades inundam nosso barco mais depressa quando convidamos Jesus para sair dele. Quando não damos brecha para o bem querer, para o diálogo, justiça, discernimento, boas companhias, boas ações, leituras e cantigas de roda.
O tempo é de aço, mas pássaros brincantes ainda pousam nas nossas janelas e sem querer mudar de conversa o pé de goiaba perto da porteirinha lá do fundo da cerca tá que dá gosto de tão carregado de flor. E se os maribondos não tomar de conta teremos frutas docinhas e cheirosas... Breve, breve.
Zenilda Lua