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Mulher!

Por: Redação Fonte: Ricardo Souza
24/08/2015 às 10h47
O que dizer da mulher? A mulher é o próprio entusiasmo fecundo. E me calar é pecado. Há luta em toda a sua trajetória de vida-semente. Difícil predizer quando está triste, pois a mulher não tem a felicidade como ambição da carne. Não preceituem a mulher; ela é a dúvida que não necessita de resposta. A mulher não nasceu da costela de nenhum Adão. Ela pariu ela mesma. A mulher também não foi anunciada pelas trombetas de Querubins. O seu motivo foi de exultação interior. Adveio do seio do mundo. Sem alarde. E ela se fez Deus. E a mulher é também o hálito; o berro; o transitório; e, em sendo assim, a mulher é folha seca na aridez da terra. É ventre e é sepultura. E é o livre-arbítrio também. A mulher é a grata confissão da existência, feito essência de uma coisa pura - uma biografia: Joana d' arc, Evita Perón, Anita Garibaldi, madre Tereza de Calcutá, irmã Dulce, Rosa Luxemburgo, Maria Quitéria, Chiquinha Gonzaga, Tarsila do Amaral, Cecília Meireles, Olga Benário, Frida Kahlo, Margarida Maria Alves... E é também, penitência. - E destaco nossa Senhora, santificada e cheia de glória - Em respeito cristão. Não havia mesmo porque se esconder. O conceito não queimaria na fogueira. Atribuíram às suas causas, o glamour e desafiaram o convencionalismo. Arrancaram as amarras que impunham a sociedade machista, escravocrata, preconceituosa e ignorante, muito mais pela doação de si mesmas. Elas não queriam ser mártires. Não houve nenhum tipo de sortilégio. Aquilo foi amor. E nem precisaram de salto alto. E nada mesmo foi ensaiado. A experiência foi o grito. Dilacerante e humilhante, mas que ainda ecoa. E nem mesmo mil vezes mil exemplos de tortura foram suficientes. É fato que em 1857, cento e trinta funcionárias de uma fábrica têxtil, nos Estados Unidos, morreram incendiadas, em meio a uma greve por melhores condições de trabalho. Esse episódio obrigou o mundo a voltar às suas atenções para a mulher, à cada dia 8 de março, como um obituário de intento memorial. Contudo, agravo não muito diferente da historieta da mulher de primeiro nome Consolação... E há uma legião silenciosa dessas mulheres - E esse silêncio sustenta o mundo. Não é sujeição, é virtude. Elas fogem da noite, cobrindo-se com o dia. E a luta que travam vem pelo exemplo. E a cada hora um sem número delas é espelho de Cristo. Onde fica o muro das lamentações de todas as Marias do mundo? Em todos os cantos do mundo. Mas, não há choro e ranger de dentes. Na áfrica e no oriente médio três milhões de mulheres são sujeitas à mutilação genital todos os anos para que, entre outras coisas, não procriem mais. Pobre humanidade que teme a si mesma; como se isso não fosse vaidade. Em todas as épocas, mulheres se empenham em favor de um ideário; e doam a própria vida, numa metamorfose que sempre se demudará de escafandro à mariposa. E a cada estação essas milhares de borboletas voarão insistentemente na direção do fogo, pois esse é o preço que se paga pela liberdade.
 
Misael Nóbrega - Jornalista e professor
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