A VELHICE É A MAIS SERENA das idades. É quando nos desprendemos da vida. É um triunfo beirar à morte na lucidez dos anos. O velho não conserva os prazeres de antigamente, uma vez que nunca foram importantes. Ele reaprende a viver como se fora um fiel depositário do tempo.
A velhice é uma graça e envelhecer é um patrimônio da própria espécie, Na velhice, devemos rir da morte como a derradeira prova... Ser velho é ser árvore. As rugas não dizem felicidade, tampouco, aflição correspondente; isso é poesia. As cicatrizes sugerem a longevidade física; não, necessariamente, chagas de perseverança, - Registros de que o medo é regalo.
O que há é uma chantagem cíclica acompanhada de degeneração moral impostas pela sociedade. Já não nos bastam a vergonha, a obediência e o cansaço de todos os pêndulos? Viva. E viver é experimentar... - Simples assim.
A vida é o calvário do inacabado; algo como a obrigação dos dias; ceifada ao bel-prazer do escárnio, portanto. E nem assim foi o exemplo de Cristo. É sabido que não há escolhas inocentes. A vida é compromissada com o ofertório dela mesma Então, quem realizará o sonho de ser quem é? Mas, isso é, quem sabe, um delírio da mente. Adoraria morrer na loucura que Erasmo de Rotterdam diz ser o único bem supremo. Mesmo entendendo que o desejo é o pior dos crimes.
Ser velho é ser pele escamosa, flácida, pútrida. E, nisso, vemos a honradez de quem fora uma certidão de si mesmo. Este mundo, sim, é que é doente. O ciclo (da vida), assim extraordinário, revela o ideário de Deus. Não existe uma definição - para a existência - que se possa dizer com palavras; nem rasgaria o minuto para expor um testemunho comum.
É na dor onde guardamos todas as verdades; e que só serão apartadas na hora da hora. No túmulo, uma borboleta solitária; havia um corpo, mas nem se fez questão dele. Uma alma vaga à espera do lugar onde os velhos serão sempre velhos e onde o tempo será apenas o tempo