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Dias de folga, entrudo e loucuras...

Por: Redação Fonte: Zenilda Lua
20/02/2015 às 09h07

Deus bemme fez bichinho de roçaque adora uma chuvinha criadeira. Quando o dócil sereno vai barulhandoaté afracar o brilho mais velho das estrelas altas.

Não sou rabugenta. Alegro-me e muito com tempos de ociosidade, mas sempre que posso vou contra a cultura dos ajuntamentos carnavalescos.

Nesses dias de parafernália sonorae quase tudo amostra recluo-me nas festividades líricas de minhas quimeras.

Fico surda para as cuícas e batucadas. Cega para todo o exagero televisivo de adornos e desnudamento. Evito cortejos e passarelas. Fico bem longe dos espaços que se abarrotam de suores, cheiros etílicos e ecosdesmantelados.

Não me prendo aos cordões momescos nem dou fantasia a minha subjetividade.

Guardo-me na simpleza da casa.

Limpo a horta que vive roída pelas formigas. Observo a animação das borboletas que se reconhecem na floração da roseira.

Abro as cortinas, arejo os cômodos, escuto músicas desaceleradas, boto a leitura em dia, recebo amigos, atiço as brasas e faço tapioca para o café das tardes.

Espalho serpentina invisível pelo brocal dourado dassuaves promessas e bom futuro.

Sou uma velha cabrocha sem adereços que aposta no afeto como consertador de vidas.

Que marca encontro com o silêncio só para ter intimidade com um Deus vivo permitido e acessível.

Sou da ala dos que se embebedacom o carisma de algumas existências edebruçada na janela ainda esperaver a "Bandapassar cantando Coisas de Amor"...

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