Deus bemme fez bichinho de roçaque adora uma chuvinha criadeira. Quando o dócil sereno vai barulhandoaté afracar o brilho mais velho das estrelas altas.
Não sou rabugenta. Alegro-me e muito com tempos de ociosidade, mas sempre que posso vou contra a cultura dos ajuntamentos carnavalescos.
Nesses dias de parafernália sonorae quase tudo amostra recluo-me nas festividades líricas de minhas quimeras.
Fico surda para as cuícas e batucadas. Cega para todo o exagero televisivo de adornos e desnudamento. Evito cortejos e passarelas. Fico bem longe dos espaços que se abarrotam de suores, cheiros etílicos e ecosdesmantelados.
Não me prendo aos cordões momescos nem dou fantasia a minha subjetividade.
Guardo-me na simpleza da casa.
Limpo a horta que vive roída pelas formigas. Observo a animação das borboletas que se reconhecem na floração da roseira.
Abro as cortinas, arejo os cômodos, escuto músicas desaceleradas, boto a leitura em dia, recebo amigos, atiço as brasas e faço tapioca para o café das tardes.
Espalho serpentina invisível pelo brocal dourado dassuaves promessas e bom futuro.
Sou uma velha cabrocha sem adereços que aposta no afeto como consertador de vidas.
Que marca encontro com o silêncio só para ter intimidade com um Deus vivo permitido e acessível.
Sou da ala dos que se embebedacom o carisma de algumas existências edebruçada na janela ainda esperaver a "Bandapassar cantando Coisas de Amor"...