Quem, quando criança ou adolescente não tomou um banho de rio, dando frecheiro ou pulando de uma pedra nas águas correntes que descia rio abaixo? Acho que muitos de nós passamos por esse deleite memorável!
Hoje, no entanto, é muito difícil se usufruir dos rios sobreviventes. As águas já não oferecem as condições propícias para esse usufruto. Estão poluídas e sem vida!
Infelizmente, o ser depredador (o homem), com sua ganância; com sua fome de capital ou por falta de planejamento e gestão, destrói a fauna e a flora, sem pena nem piedade!
Esperamos que um dia essa situação seja revertida, para que as crianças e os adolescentes que não puderam ter esse direito, possam tirar proveitos desse presente da Natureza!
Por isso, fiz esses versos abaixo, para ilustrar a situação de um rio que conheço, que morre e pede socorro.
Nas margens daquele rio
Os abutres fazem à festa
Disputam com veemência
Toda carniça em oferta
Fazendo grande algazarra
Sem limite e sem aresta!
Todo dia tem banquete
No leito da vida morta
Tem os fetos de abortos
Tem ossada e muita bosta
Tem remanso de água podre
E, muitas fuçadas de porca!
Tem vida que se debate
Na convalescênça doente
Sofrendo em consequência
Da morte do ambiente
Que culmina sem receio
Com as vidas existentes!
Há pedidos de socorro
Em toda área sofrida
Querendo manter a espécie
Na sobrevivência da vida
Há um grito de clamor
Para salvar suas vidas!
Nesse berço secular
Foi-se embora à riqueza
Que se fazia presente
Na nascente da beleza
Fluindo das águas puras
Às crias da Natureza!
Num rascunho do passado
Viam-se os peixes a nadar
Via-se em todo seu curso
A correnteza ostentar:
A exuberância das águas
Tomando o rumo do Mar!