O suicídio é um ato corajoso?. Para Emile Durkheim o suicídio é egoísta, altruísta e anômico e deve ser tratado como assunto sociológico. Li, outro dia, que o suicídio é a décima causa de morte no mundo. E que as dificuldades emocionais representam parcelas expressivas para justificar os números alarmantes.
Atentar contra si mesmo é romper com este mundo... - É castigar-se, desprezando-o. Mas, não seria, também, rir da cara de Deus? Suicidar-se é apresentar-se diante do Rei sem ser chamado. A vida não nos oferece muitos milagres, é fato. Ela é instigante e, obriga-nos a buscar, desde sempre. É só reparar a corrida do óvulo pelo desenvolvimento fetal. Muitos ficam pelo caminho, de forma antecipatória; ainda, zigoto, na fase do não ser. E os que conseguem não arranjam ombros fortes para carregar o mundo. Então, o suicídio acaba sendo ainda uma reação ao fracasso.
O suicídio não é um caso para se ignorar... - É uma vergonha de falha coletiva. Discuta, ajude; levante-se, reaja. Antecipe-se a mensagem que, intrigantemente, os jornais insistem em publicar como manchete: achado do corpo, - como se aquelas poucas linhas superficiais justificassem uma notícia. Mas, como fazê-lo?
Um corpo baloiçando numa corda, sem pertencer a terra ou ao céu. Vítima? Não há mais ali o que se considerar. Culpado? A notícia existe para construir. Afora isso são desaforos, jamais, contribuição. Inocente?. O que é honesto numa noticia de suicídio, mesmo que a pessoa seja proeminente? Sabemos que não há nenhum código jornalístico que impeça esse tipo de divulgação, muito embora uma convenção moral, sim. Digna de benevolência.
Ninguém saberá de fato o que motivou o suicídio... E, quase sempre, a pista é passional. A tréplica já foi dada, portanto. E está consumado. O suicida quis chamar a atenção para a sua causa E ele conseguiu, doando-se Não julguemos os méritos. Disse-me alguém, que o perdão é difícil porque não é humano, mas divino. Então, não há em ninguém a santidade do jugo. Não cabe ao jornal sair incriminando, inclusive, quem não deve ser incriminado.
Divulgar o suicídio é exploração do que é particular, por razões óbvias. É saciar a necessidade inconsciente do leitor no que diz respeito a espetacularização. E isso é sensacionalismo, compromisso apenas com a audiência. Revolvo o assunto maior: se cresce o número de suicídio no mundo, vamos investigar as causas, intermediando o relato, com a responsabilidade de auxiliar a sociedade a lidar com essas questões compreendendo o significado e as consequências desse ato. Esse aprofundamento nos daria mais subsídios para cuidar dos vivos... emprestando o nosso conhecimento para diminuir essa triste estatística, quer seja: patológica, sociológica, religiosa, etc.
Professor e Jornalista