O serralheiro da cidade de Coremas, Manoel Dias de Sousa, 45 anos, em que divulgamos esta semana o seu desaparecimento depois de dá entrada no Hospital Regional de Patos na última sexta-feira, dia 21, foi encontrado, mas no Instituto Médico Legal (IML).
Manoel Dias foi internado no HRP depois de ter sofrido uma convulsão e ter ferido a boca.
Amigos de Manoel passaram por uma verdadeira peregrinação para encontrá-lo, pois, segundo informações de Letícia Venâncio, proprietária do estabelecimento onde o serralheiro trabalhava, um médico clínico lhe dera alta por motivos de que o paciente estava com alteração de comportamento e incomodando os demais pacientes da unidade hospitalar.
Segundo informação de Letícia, Manoel passava por abstinência alcoólica e estava machucado. Ele estava trabalhando na sexta-feira de manhã quando se queixou de que estava passando mal. Quando meu marido foi buscar o carro para ir deixar Manelzinho no hospital, ele teve uma convulsão e na queda, acabou machucando a boca. Levamos ele para o hospital de Coremas, mas o médico falou que o corte era profundo e o caso seria cirúrgico sendo necessário levá-lo para Patos. Ele foi deslocado para o Hospital Regional de Patos onde ficou internado e aguardando parecer cirúrgico na área amarela, explicou.
Letícia informou a nossa reportagem que estava acompanhando seu pai no hospital de Coremas e que enviou uma segunda pessoa a Patos para saber notícias de Manoel, mas que nunca conseguia. Foi quando descobriu da alta do paciente ainda na sexta-feira.
Depois de realizar inúmeras ligações para o HRP antes de saber da alta e pedir ajuda de outras pessoas para tentar localizar o seu empregado, Letícia disse que foi informada através da assistente social da casa hospitalar que estavam tentando remover o paciente para o Hospital de Trauma de Campina Grande. Fiquei mais preocupada ainda com a saúde dele, pois, ninguém informava nada e quando disseram algo foi dessa forma. Mas, na verdade, eles deram alta hospitalar a Manelzinho e ele ficou perambulando pela cidade. Ele estava sem documentação, sem dinheiro, poderia ser maltratado por alguém ou ser preso. Achei isso uma negligência do Hospital Regional porque o paciente não podia responder por ele, não tinha familiar com ele naquele momento. Deixamos telefone de contato e não recebemos nenhuma ligação da direção ou de alguém do hospital para informar sobre essa alta, reclamou.
Ainda de acordo com Letícia, o serralheiro era diabético e já tinha a audição e visão comprometidas.
No domingo de manhã, uma prima de Manoel se deslocou até Patos para saber informações do paradeiro do paciente. Letícia informou que em uma das ligações realizadas para o Hospital, fizeram transferência da ligação para diversos setores do HRP, pois, eles não tinham como informar sobre o paradeiro do paciente. Dei um prazo a eles de até às 08h da manhã da segunda-feira para eles aparecerem com Manoel, quando foi por volta de 22h do domingo, recebi uma ligação do IML pedindo para ir reconhecer o corpo do rapaz, ou seja, o Hospital já sabia há muito tempo o que tinha ocorrido com o meu funcionário, disse.
Manoel Dias foi encontrado morto na noite do domingo, 23, por trás de um restaurante na saída de Patos.
A prima de Manoel, que não teve o nome revelado a nossa reportagem, foi até a delegacia de Polícia Civil para realizar um Boletim de Ocorrência. A causa mortis do paciente foi insuficiência respiratória aguda.
Em contato com o Hospital Regional de Patos, conseguimos falar com a Assistente Social que estava de plantão no dia em que o paciente foi internado. Ela disse que diversas vezes o serviço de assistência do HRP tentou contato através do número de celular que estava com Manoel, porém, em nenhum momento conseguiu êxito. Um dado questionado pela assistente é o fato de que o paciente foi levado para o HRP com crises de convulsão e nenhum familiar ou conhecido o acompanhava.
Nossa reportagem ainda deixa espaço para maiores esclarecimentos de ambas as partes.