OS ANOS ASSALTAM A VIDA Não estou dizendo nada de extraordinário. Apenas, servindo-me da trivialidade. Atravesso a maturidade cerebral e vejo que muito me falta. Não cobro das fases primeiras - com seus apegos frívolos, pois são feitas do tecido da ingenuidade; e nada nasce de forma inocente nesta terra. Também, não é a palpitação das horas o que me constrange: - É-o-não-saber-me-embriagar-viver.
Em época alguma o espelho nos mostra o iluminado. O que reflete, de fato, é a nossa dor. Porém, por sermos débeis, ignoramos. E nunca alcançamos o que se faz milagre. Violar o destino é desafiar o medo. E o medo é uma muleta. Livres, também, nunca seremos; nem aqueles mais impossíveis.
Do que se constitui o tempo?. O tempo somos nós. A verdade é a libertação da carne, peso de todos esses ossos; A fealdade do mundo é a testemunha ocular daquilo que nos tornaremos; A indiferença dos outros, corriqueira; A solidão é algo inerente; A doença e o castigo da morte... - O fim. Não o trágico ou o melancólico, mas o pontual. O desaparecimento da nossa imagem, sem concomitância, antes da decomposição da matéria... - Pois já nascemos decrépitos.
Morremos ainda vivos.
É uma pena que os sonhos sejam segredados aos deuses. Ao homem, apenas o dolo. O altruísmo precipita-se para o engodo. E não corremos para dentro de nós por ser abstruso. Então, vivemos zumbis. - A angústia é outra verdade de atributo indissociável. Conheça-te e pronto.
Ninguém deve recear ser velho. As mentes é que são doentes. Ser velho é ser árvore. As rugas não sugerem felicidade, tampouco, aflição correspondente; isso é poesia. Quando preenchidos de cicatrizes, teremos, mais o conceito da longevidade que, necessariamente, as chagas da perseverança, - Quem sabe, a certeza de que os temores são regalos. O que há é chantagem cíclica e degeneração moral. Já não nos bastam a vergonha, a obediência e o cansaço de todos os pêndulos?
Viva. De resto, seja o seu próprio confessor. E no dia em que tudo for consumado, deixem-me como herança uma flor de mato; e, escrito na lápide, um poema de giz.
*Misael Nóbrega de Sousa, 45 anos, é jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba, com pós graduação em Marketing, pela mesma instituição.