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Orquestra Sinfônica da Paraíba inicia Série Glauco Andreza com concerto dedicado ao Choro

A Orquestra Sinfônica da Paraíba iniciou a temporada 2026 com a Série Sivuca, na cidade de Itabaiana, no dia 9 deste mês, e segue agora com a Série...

Por: Redação Fonte: Secom Paraíba
17/04/2026 às 11h21
Orquestra Sinfônica da Paraíba inicia Série Glauco Andreza com concerto dedicado ao Choro
Foto: Reprodução/Secom Paraíba

A Orquestra Sinfônica da Paraíba iniciou a temporada 2026 com a Série Sivuca, na cidade de Itabaiana, no dia 9 deste mês, e segue agora com a Série Glauco Andreza, em homenagem ao percussionista e baterista paraibano, que deixou um legado importante na música brasileira. O concerto será nesta quinta-feira, 23 de abril, às 20h30, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural,em João Pessoa,com entrada gratuita. Os ingressos serão distribuídos a partir das 19h, na bilheteria da rampa 4, no limite de dois por pessoa.

Sendo 23 de abril o Dia Nacional do Choro, o concerto será dedicado a esse gênero da música popular brasileira surgido no Rio de Janeiro na segunda metade do Século XIX, que tornou-se um símbolo da nossa cultura. Regido pelo maestro Gustavo de Paco de Gea, esta apresentação especial terá a participação do clarinetista Lucas Andrade e do saxofonista Heleno Feitosa “Costinha”, como solistas, e de músicos convidados que são destaque na cena do choro paraibano: Potyzinho Lucena (cavaquinho), Eduardo Fiorussi (violão de 7 cordas), Chico Santana (pandeiro) e Mariana Rampazzo (surdo).

A noite em homenagem ao Choro começa com “Modinha Imperial”, de Francisco Mignone, e segue com “Paciente”, de Pixinguinha, “Noites Cariocas/1x0”, Jacob do Bandolim, Pixinguinha e Benedito Lacerda.

Depois vem três músicas de Eduardo Fiorussi: “Choro da Partida”, “Jurassic Polca” e “Já Te Digo”. O concerto continua com “Gafieirado”, de Marcelo Vilô, “Pro Paulo”, Chico Chagas, e “Assanhado”, de Jacob do Bandolim.

O maestro Gustavo de Paco de Gea ressaltou o fato desse concerto ser 100% de música brasileira, em celebração ao Dia Nacional do Choro.“Vamos começar com Modinha Imperial, uma peça apenas para cordas. A modinha é uma forma musical brasileira que antecede o Choro e teve grande popularidade no século XVIII, no Brasil e em Portugal. Essa obra, de Francisco Mignone, foi composta inicialmente para piano, e depois adaptada para orquestra de cordas”, explicou.

Na segunda obra, entramos de fato no universo do choro, com Paciente, de Pixinguinha. É um arranjo de 1949 feito pelo próprio compositor, com uma característica interessante: substitui violas e violoncelos pela família dos saxofones, que era o instrumento do próprio Pixinguinha. Essa peça foi feita para o programa de rádio ‘O Pessoal da Velha Guarda’ e depois, na década de 1970, ganhou destaque como trilha de novela.”

O maestro ressalta a junção de duas obras marcantes: Noites Cariocas, de Jacob do Bandolim, e Um a Zero, de Pixinguinha com Benedito Lacerda. “Esse arranjo do maestro Jackson Delano mostra a importância desses dois compositores, considerados grandes mestres do Choro. Depois vamos apresentar Choro da Partida, de Eduardo Fiorussi, uma obra recente, estreada em 2023. Ele é professor da Universidade Federal da Paraíbae atua no Departamento de Educação Musical, na área de cordas dedilhadas e na própria educação musical”, explicou.

Outra obra contemporânea é Jurassic Polca, também de Eduardo Fiorussi, apresentada em 2024 e agora adaptada para orquestra sinfônica pelo próprio compositor. Teremos também o samba histórico Já Te Digo, de Pixinguinha, composto em 1919 com seu irmão China, em um arranjo recente de Eduardo Fiorussi”.

O repertório inclui ainda Gafieirado, do maestro Marcelo Vilô, daqui de João Pessoa”, continuou o maestro Paco, “que traz a influência da gafieira, uma dança de salão surgida no Rio de Janeiro no início do século XX. Vamos executar ainda Pro Paulo, do multi-instrumentista Chico Chagas, uma obra de 2022 dedicada ao clarinetista e saxofonista Paulo Moura. E encerramos com Assanhado, de Jacob do Bandolim, um choro-samba de 1961, muito reconhecido, com arranjo de Jackson Delano. É uma obra que marcou época e rendeu ao compositor um prêmio importante como solista popular”, finalizou.

Série Glauco Andreza

Ao longo de 2026, a Orquestra Sinfônica da Paraíba vai desenvolver o projeto que segmentou a temporada em séries, ideia do músico Lucas Andrade, acatada pelas diretoria executiva e pelo conselho artístico da OSPB. Durante a temporada serão realizadas as Séries Sivuca, que já estreou na cidade de Itabaiana, Glauco Andreza e Eleazar de Carvalho.

A Série Glauco Andreza nasce da necessidade de manter viva a memória de um músico que fez da sua vida um gesto contínuo de entrega à música e às pessoas”, explicou Lucas Andrade, que participa desse concerto como solista. “Glauco não foi apenas um baterista de excelência, foi um formador, um agregador e, sobretudo, alguém que compreendia a música como um espaço de encontro”, destacou.

Durante sua trajetória na Orquestra Sinfônica da Paraíba, construiu não apenas um legado artístico, mas humano. Fez da sala de ensaio uma extensão da vida, dos colegas parceiros de caminhada e dos alunos, filhos de uma escuta generosa e de uma presença sempre disponível. Sua maneira de tocar revelava algo raro: a capacidade de fazer a bateria dialogar com qualquer linguagem musical, não pela imposição, mas pela sensibilidade”.

Dar o seu nome a esta série é mais do que uma homenagem”, continuou Lucas. “É um compromisso com uma música que não se limita a fronteiras, que se abre ao diálogo e que encontra, no cuidado com o som, o seu maior refinamento. Assim como Glauco fez em vida, a série que o homenageia propõe encontros, atravessamentos e novas possibilidades de escuta da música brasileira popular. Que cada concerto seja, também, uma forma de dizer que a música que ele ajudou a construir continua em movimento”, comemorou.

Para o saxofonista Heleno Feitosa “Costinha”, é motivo de muito orgulho, de muita satisfação, participar como solista nesse concerto junto a Orquestra Sinfônica da Paraíba, “na qual fui membro, tocando fagote durante muitos anos, então é um momento de reencontro e um momento de muita alegria, especialmente porque vamos tocar um concerto em homenagem ao Choro, esse gênero da música brasileira tão importante que nos traz muitas boas recordações de grandes artistas, de grandes intérpretes que se destacaram”, lembrou.

Costinha ressaltou a importância desse concerto que dá início à Série Glauco Andreza. “Glauco foi um grande amigo, um guru musical, não só meu, mas de muitos músicos aqui na Paraíba. Vai ser uma noite linda, uma noite de festa. Eu tenho certeza que as pessoas que forem assistir a esse concerto vão sair maravilhadas de lá. Vamos entregar ao público uma noite de muita música boa”, disse o saxofonista.

O regente

Gustavo de Paco de Gea é natural de Buenos Aires, formou-se no Conservatório Juan José Castro. Atuou como flautista e docente em orquestras argentinas até 1978, quando passou a lecionar Flauta Transversal na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Fundou o Quinteto Latinoamericano de Sopros da UFPB, com apresentações no Brasil e no exterior.

Desde 1980, é primeiro flautista da Orquestra Sinfônica da Paraíba, destacando-se na promoção da música nordestina. Em 1985, assumiu o mesmo posto na Orquestra Sinfônica do Recife e no respectivo quinteto de sopros. Foi professor convidado do Centro de Criatividade Musical de Recife (1996–1997) e preparador da Orquestra Infantil da Paraíba.

Iniciou-se como maestro em 2001, fundando a Orquestra de Câmara Municipal de João Pessoa, onde atuou até 2010. Em 2012, tornou-se maestro da Orquestra Criança Cidadã e, em 2014, maestro assistente da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa. Rege a Orquestra Sinfônica da UFPB desde 2013 e, em 2022, assumiu a regência da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Em 2025, foi convidado a dirigir a Orquestra Filarmónica de Río Negro, na Argentina.

Os solistas

Lucas Andrade– Iniciou seus estudos na Sociedade Filarmônica Amantes da Lira em Santo Antônio de Jesus, interior da Bahia, onde posteriormente atuou como clarinetista, saxofonista e instrutor de bandas de música até ingressar na universidade. Graduou-se bacharel em clarineta pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também obteve o título de Mestre em Performance Musical.

Em 2023, esteve entre os principais artistas convidados do ClarinetFest (Denver-CO-EUA) e do VIII Festival Internacional de Clarinetes do Paraguai (Assunção-Paraguai). Em 2024, foi solista junto à Amazônia Jazz Band, se apresentou com o quinteto de clarinetas Tekoha no ClarinetFest (Dublin - Irlanda) e no IV Encontro Internacional de Clarinetistas de Belém, na Semana Internacional do Clarinete em Recife (PE). Em 2025, participou do Festival Internacional de Clarinete YUUBAN (Xalapa - México) e do XV Encontro Brasileiro de Clarinetistas (Natal - RN).

Desde 2014, integra o quadro efetivo da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB), onde exerce a função de primeiro clarinetista solista. Atualmente, está cursando o Doutorado em Música na Universidade Federal da Bahia e é integrante do quarteto da cantora baiana Rosa Passos.

Heleno Feitosa (Costinha)– Natural de Itaporanga (PB), é Doutor em Música, Bacharel em Fagote e Saxofone pela Universidade Federal da Paraíba. Tem sido convidado para atuar como artista e professor de fagote/saxofone em alguns dos mais importantes Festivais de Música do Brasil e para participar como solista e instrumentista de conjuntos de música de câmara e orquestras em concertos, shows e gravações de discos ao lado de artistas renomados nacional e internacionalmente, tanto na área da música erudita como nas áreas da música popular e comercial.

Participou como professor de saxofone nos Painéis Funarte de Banda de Música de 2007 à 2015. Em 2010, participou como fagotista do Quinteto Latino Americano de Sopros, no projeto Sonora Brasil, promovido pelo SESC, onde realizaram mais de 80 concertos em quase todos os estados da federação.

Lançou seu primeiro CD solo “Costinha” em 2005, com obras de compositores paraibanos e de sua autoria. Em 2013, lançou o segundo disco solo intitulado “Duas Palhetas” e, em 2020, lançou o terceiro CD solo, “Vibrasons”.

Atualmente é Professor Associado de Fagote/Saxofone da Universidade Federal da Paraíba e atua como músico saxofonista/flautista na banda do cantor e compositor brasileiro Alceu Valença.

Glauco Andreza

O percussionista e baterista, integrante da Orquestra Sinfônica da Paraíba, era natural de João Pessoa (PB) e faleceu em março de 2023, aos 56 anos de idade. Com mais de 40 anos de carreira, Glauco foi referência no cenário musical brasileiro.

Vindo de um celeiro de músicos e filho de pai baterista, teve seu primeiro contato com a bateria aos 6 anos de idade. Aos 15 anos, iniciou seus estudos musicais no Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba. Em 1984, aos 18 anos, ingressou na OSPB, onde passou a atuar como percussionista, levando sua musicalidade para o universo da música erudita.

Ainda na década de1980, fez parte da formação da Orquestra Metalúrgica Filipéia, sob a regência do Maestro Chiquito, onde iniciou sua atuação como baterista. Na década de 90, começou a tocar nos grupos de câmara da Paraíba, integrando formações que se tornaram referência no nosso ambiente musical: Quinteto Brassil (atualmente Sexteto Brassil), Quarteto de Trombones da Paraíba, Brazilian Trombone Ensemble, Sexteto Tabajara, além de participações em outros grupos ligados aos núcleos da UFPB.

Além da música erudita e música popular brasileira, Glauco teve sua trajetória marcada pelo frevo, atuando como baterista na Orquestra do Maestro Vilô, além de tocar com Duda e sua Orquestra, e a Orquestra de Frevo Sanhauá.

Ao longo de sua carreira, participou de importantes cursos e encontros musicais. Em 1990, esteve no Curso Internacional de Música na Paraíba e no Brazilian Festival, sob a direção do maestro Eleazar de Carvalho. Participou do I Encontro de Instrumentistas de Sopro do Nordeste e do I e II Encontro de Metais do Nordeste.

Esteve em projetos como Pixinguinha, na Sala Funarte, no Rio de Janeiro, com o grupo Pongará. Atuou em festivais nacionais e internacionais, como o Festival Brasileiro de Trombone, Festival Internacional de Música da Bahia, Festival Internacional de Música do Pará, Festival Internacional de Música de Belfort, entre outros. Participou de gravações de diferentes álbuns, como o BrassilInterpreta Compositores da Paraíba, Bem Brassil, Um Pouquinho de Brasil e Brassileiro.

Na sua trajetória musical, tocou com diversos artistas nacionais, junto a Orquestra Sinfônica da Paraíba, como Ney Matogrosso, Alcione, Ângela Ro Ro e Dominguinhos. Foi um dos fundadores da banda base do Festival de Música da Paraíba, participando de várias edições. Atualmente, a banda do festival leva seu nome em homenagem ao seu legado.

Serviço

Orquestra Sinfônica da Paraíba

2º Concerto Oficial da temporada 2026 – Série Glauco Andreza

Homenagem ao Dia Nacional do Choro

Regência: Maestro Gustavo de Paco de Gea

Solistas: Lucas Andrade (clarinete) e Heleno Feitosa “Costinha” (saxofone)

Músicos convidados: Potyzinho Lucena (cavaquinho), Eduardo Fiorussi (violão de 7 cordas), Chico Santana (pandeiro) e Mariana Rampazzo (surdo)

Dia: 23 de abril (quinta-feira)

Hora: 20h30

Local: Sala de Concertos Maestro José Siqueira, Espaço Cultural

Entrada:Gratuita, com distribuição do ingresso a partir das 19h

Foto: Reprodução/Secom Paraíba
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