O Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran-PB) vai propor ao governo do Estado a implantação do Comitê de Prevenção de Acidente de Moto (CPAM), que deverá atuar de forma integrada com os demais órgãos de trânsito objetivando a redução dos índices de mortalidade provenientes de acidentes envolvendo ciclomotores. O Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), da Polícia Militar, também executará ações de prevenção e educação aos motociclistas, por meio de projeto piloto da Divisão de Educação de Trânsito (DET).
Segundo o chefe da Divisão de Policiamento do Detran-PB, César Urach, o Comitê de Prevenção de Acidente de Moto (CPAM) envolverá diversas ações, como o controle estatístico dos acidentes nos principais locais e horários, educação - em relação ao chamamento de responsabilidade das vítimas, condutores e sociedade civil organizada -, bem como um endurecimento maior nas fiscalizações, de forma integrada entre todos os órgãos de trânsito, buscando o mesmo resultado que é salvar vidas.
É um programa que já existe em em outros Estados, como em Pernambuco, mas a nossa intenção é integrar os órgãos operativos, de saúde e educação para realizar reuniões mensais, afim de conseguir centralizar todos os resultados dos trabalhos individuais e coletivos das parcerias, por meio de relatórios, de modo que poderemos detectar as ações que possam minimizar o problema, explicou.
César Urach disse que o comitê ainda é uma proposição, que será encaminhada brevemente ao Governo do Estado, para que seja aprovado como programa de governo, para termos maior respaldo entre as equipes que serão convidadas para o compor. No entanto, enquanto isso não é efetivado, no Detran-PB já estamos implantando ações nesse sentido e com esse modelo, afirmou.
Já o comandante do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), coronel Paulo Almeida Martins, disse que irá implantar uma célula da Divisão de Educação de Trânsito (DET) no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa.
Nós já temos esse trabalho em andamento em escolas em todo o Estado, particulares e públicas. Então, estamos estendendo-o para o Trauma porque vemos a necessidade dessa ação educativa e preventiva, pois muitos dos acidentados que receberam o atendimento hospitalar acabam retornando meses depois por problemas idênticos e a DET vai reeducar nesse sentido, tentando mudar essa cultura para que não retornem ao leito hospitalar, declarou.
Inicialmente, a célula da DET vai contar com oito policiais militares em períodos de folga.
TRAUMA
Somente de janeiro a agosto deste ano, o Hospital de Trauma da capital realizou 4.231 atendimentos a vítimas de acidentes de motocicleta, 14,4% a mais que no mesmo período do ano passado, quando houve 3.696 pacientes, segundo a direção da unidade.
De acordo com o diretor do hospital, Edvan Benevides, a proposta da unidade para diminuir os índices de atendimentos e óbitos de vítimas de acidentes envolvendo motocicletas, é por meio da educação e prevenção, com a participação do próprio motoqueiro, já que cerca de 55% dos que se acidentaram retornam meses depois com um novo acidente, muitas vezes mais grave, resultando no óbito.
A motocicleta se tornou um problema de saúde pública, representado pela quantidade de pacientes em área de emergência. Os dois hospitais de referência na capital (HTOP e o Trauma) têm 330 leitos, dos quais 170 estão ocupados por pessoas que se encontram internadas vítimas de acidentes de moto. É preciso haver a prevenção de acidentes, pontuou.
NÚMEROS
8.491 foi o número total de acidentes de trânsito na Paraíba, em 2013
Sendo 5.675 envolvendo motocicletas
De janeiro a agosto desse ano já foram 6.078 acidentes
Destes, 4.231 foram com motos, quase o total de todo o ano passado na mesma modalidade