A direção nacional do PT protocolou no último sábado um novo documento no Tribunal Regional Eleitoral contestando a aliança PT/PSB na Paraíba nas eleições de outubro. O documento informa que a deliberação tomada pelo diretório regional foi anulada, como forma de assegurar a soberania da instância nacional, que no dia 26 de junho decidiu que a aliança seria com o PMDB.
O PT informa também que a coligação com o PMDB será adstrita ao pleito majoritário, ficando o Partido dos Trabalhadores livre para escolher entre lançar candidatos à eleição proporcional de forma isolada ou coligar-se. O documento enviado ao TRE é assinado pelo presidente nacional da legenda, Rui Falcão, e será juntado ao processo da coligação PT/PSB.
Para o presidente estadual do PT, Charliton Machado, a documentação não traz nenhum fato novo. Não há nenhuma mudança jurídica em relação ao que foi apresentado em 5 de julho. A única diferença é que indica que cabe ao PT da Paraíba definir sua política de aliança proporcional, afirmou.
A aliança PT/PSB já havia sido questionada pelo PT nacional através de um documento protocolado no último dia 5 no TRE-PB. A alegação é de que o partido teria descumprido as diretrizes traçadas para a Paraíba no sentido de firmar aliança com o PMDB e não com o PSB.
As comunicações feitas pelo PT ao TRE seguem o que determina a legislação eleitoral, de que no caso de a convenção partidária de nível inferior se opuser, na deliberação sobre coligações, às diretrizes legitimamente estabelecidas pelo órgão de direção nacional, nos termos do respectivo estatuto, poderá esse órgão anular a deliberação e os atos dela decorrentes. A assessoria de comunicação do PT nacional disse acreditar que o TRE da Paraíba deverá decidir pela aliança com o PMDB.
DENÚNCIA DE FALSIFICAÇÃO DE ATA
O Tribunal Regional Eleitoral recebeu uma denúncia feita por um militante do PT dando conta de que a ata da convenção do partido teria sido falsificada. O fato foi denunciado por Jales Java dos Santos Lacerda Caliman, candidato ao cargo de deputado federal. Ele menciona o nome do secretário do partido Jackson Macedo e traz a ata supostamente falsa que vem assinada por Jackson e pelo presidente regional da legenda, Charlinton Machado.
Segundo o seu relato, os dirigentes do PT teriam, após o dia 30 de junho, falsificado a ata da convenção partidária realizada naquela data e que foi posteriormente apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral para fins de registro de candidatura. A denúncia foi analisada pelo juiz Tércio Chaves, que decidiu mandar o caso para a Justiça de 1º Grau, por entender que as partes envolvidas não são detentoras de foro privilegiado.
Não obstante estarmos tratando de eleições gerais, cujas representações são processadas originalmente neste Tribunal, a competência originária deste Tribunal na seara criminal, depende da presença, entre os investigados, de autoridade detentora de foro privilegiado, o que, ao menos por ora, não é o caso dos autos. Trata-se, portanto, de questão a ser resolvida pela Justiça Eleitoral de primeiro grau. O magistrado determinou o envio do processo para o juiz da 1ª Zona Eleitoral.
Cópias dos autos foram remetidos para a Procuradoria Regional Eleitoral da Paraíba, para, se assim entender, apresentar eventual impugnação aos registros de candidatura.