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7 a 1: E nada será lição; por Misael Nóbrega de Sousa

Por: Redação Fonte: Ricardo Souza
11/07/2014 às 17h29
7 a 1: E nada será lição; por Misael Nóbrega de Sousa
A vitória da Alemanha não foi sobre a seleção brasileira. Quem foi humilhado, nesse infeliz 8 de julho de 2014, foi o povo brasileiro. Esse mesmo povo que ignorou os problemas políticos e sociais que emergiam anti-copa e a descrença dos próprios organizadores quanto ao sucesso do mundial. Os jogadores, todos consagrados, retornarão para os seus clubes, deixando para nós a vergonha, como história. Porém, coitados daqueles meninos, como carregar um pais inteiro nos ombros? “Para realizar um sonho é preciso esquecê-lo.” Nenhum povo do mundo mata e morre pelo futebol como acontece aqui no Brasil; então, não havia porque renegar o campeonato da FIFA. Querer que ele não acontecesse, em terras tupiniquins, seria punir a nós mesmos, desconhecendo as nossas próprias emoções. Só não queríamos esse enredo. O planeta viu o time sucumbir diante dos pragmáticos alemães de forma acachapante. Eles já se mostravam organizados taticamente, tinham um grupo que já vinha jogando junto há muito tempo, usam a tecnologia ao se favor. Contudo, a Alemanha precisava experimentar do elixir que nos deu Pelé. Ao se misturar com o nosso povo, a Alemanha se apoderou de nossa alma futebolística. O nosso jogo nasce das plantas, das bolas de meias, das areias das praias e rios, da inspiração de um Deus. Não surge das pranchetas ou esquemas burocráticos. O nosso futebol é genial, porque somos paridos da alegria. Eles descobriram a essência, portanto. Perdemos naquilo que temos de melhor... - mesmo considerando o “complexo de vira-lata”, tão bem citado por Nelson Rodrigues, que dizia que o brasileiro “cuspia na própria imagem”. Ficamos encantados. E, de tal forma, inocentes. Não é choro de perdedor. Trucidaram-nos. Os gols não me incomodaram se é que vocês entendem; foi a arrogância, a prepotência o “já ganhou”, a inexperiência, a falta de planejamento, o descontrole emocional, o hino continuado, a “neymardependência”. Não bastava ter os melhores do nosso lado, era preciso nos fazer acreditar. E o time do Brasil não tinha a certeza de que podia ser campeão. O conceito de que essa alegria seria construída partida após partida não vingou. O Brasil nunca jogou bem, salvo lampejos de criatividade. Não falo em espetáculo. Sempre fomos apoucados e tímidos. Amanhã será outro dia. E virão. tentativas de explicações e boatos. Gerações e conquistas. E nada será lição, pois exemplos se tiram, principalmente, das vitórias.

Jornalista e Professor
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