Nasci no meio do tempo
Sem canto pra me abrigar
Fui jogado na sarjeta
A esmo de algum lugar
Minha vida foi vencida
Pelo desprezo de amar!
Perambulo pelas ruas
Com vestes de moribundo
Sou levando pelo tempo
Sem espaço e sem prumo
Esperando chegar o dia
Do meu direito ao mundo!
Me chamam boca de cola
Nas manchetes policiais,
Sou Nêgo Pantera Preta
Em louvor aos marginais
Já não sei por quantas vezes
Eu atirei contra a paz!
,Me criei numa discórdia
De uma relação sem amor
Tentei me endireitar na vida
Mas o destino mudou
Me tornei um marginal
Que o destino gerou!
Sou resto sem consciência
No rítimo da caminhada
Já dei furto em muita gente
Já dei golpes e dei pancada
Mas levo uma vida sofrida
Sabendo que não sou nada!
Não quero ser inocente
Numa sociedade marcada
Mas quero tornar de público
A minha história passada
Retratando pra vocês
A minha vida criada!
Patos, 15/05/2014
Anchieta Guerra
*José Anchieta Alves Guerra, funcionário público, nasceu em Campina
Grande, migrou ainda adolescentes para João Pessoa, vindo morar em São
Mamede em 1991, se transferindo para Patos, em 1995, onde reside até
hoje.