O tromboembolismo venoso (TEV), mais conhecido como trombose venosa é uma doença que atinge a população em geral com frequência, sendo caracterizada pela formação de coágulos (trombos), no interior das veias do nosso corpo.
Estudos de necrópsia revelam que 10 a 20% dos óbitos em hospitais gerais ocorrem em decorrência de TEV, seja como causa principal ou como coadjuvante. Quando fatal, o óbito ocorre principalmente na primeira hora e o diagnóstico não é usualmente cogitado. Um grande estudo realizado entre 1985 e 1995, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre,identificou que 3,9% dos óbitos aconteciam devido ao TEV, sendo que 83% não havia sido previamente diagnosticado ou considerado. Nos Estados Unidos, estima-se que essa doença acometa 145/100.000 habitantes, com 500.000 óbitos anuais em consequência de sua complicacão mais grave que é a embolia pulmonar.
Existem algumas situações e fatores de risco, que predispõem o aparecimento de tal doença, tais como idade avançada, mobilidade reduzida (paciente acamado), cirurgia, parto, gravidez, uso de hormônios (anticoncepcionais ou reposição hormonal), além de algumas doenças clínicas mais graves ou crônicas (insuficiência cardíaca ou respiratória, septicemia). Existem ainda, condições que levam à formação de trombos, chamadas de trombofilias que podem ser hereditárias ou adquiridas.
Na maioria das vezes, a doença acontece de forma silenciosa, não apresentando sintoma algum, no entanto o sintoma mais frequente é o edema (inchaço) das pernas, seguido de dores e ainda mudança de coloração. Às vezes se apresenta como tosse com escarros sanguinolentos, cansaço e dificuldades de respirar; já se apresentando como uma complicação temível e às vezes fatal, que é a embolia pulmonar.
Para o seu diagnóstico é necessária a realização de uma ultrassonografia vascular que em mais de 95% das vezes, fecha o diagnóstico da trombose venosa. Em relação à embolia pulmonar, a cintilografia pulmonar e angiotomografia, normalmente, selam o seu diagnóstico.
É uma doença que tem tratamento com medicações que auxiliam a dissolução do trombo (trombolíticos) ou que não deixam que esse trombo aumente de tamanho (anticoagulantes), além disso, aguarda-se que o nosso próprio organismo dissolva esse trombo.
Na presença de algum dos fatores de risco, acima listados, o paciente deve procurar um cirurgião vascular para que seja orientado sobre a prevenção desta doença,que deve ser realizada o mais rápido possível, através de medicações, uso de meia elástica, compressão pneumática intermitente nas pernas, além da caminhada precoce. A prevenção é orientada individualmente de acordo com classificação de risco individualizada.
Dr. Jânio Cipriano Rolim
Angiologista
CRM 5119