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Delegado Regional faz análise de operações policiais realizadas na região de Patos

Por: Redação Fonte: Luanja Dantas
29/07/2012 às 07h01

Desde 2011 a cidade de Patos, sertão paraibano, tem sido palco das maiores operações policiais do Estado. Em decorrência do tráfico de droga e do freqüente índice de homicídios praticados no município, as polícias civil e militar tem agido para combater as organizações criminosas.

No ano passado, por exemplo, a Operação denominada ?Laços de Sangue? desencadeada em Setembro numa ação conjunta das Delegacias Regionais de Polícia Civil de Catolé do Rocha e Patos, prendeu 22 pessoas envolvidas em rixas familiares que praticavam homicídios entre elas. Seria a briga entre o clã Suassuna e Oliveira do município de Catolé do Rocha, alto sertão. Com o desenrolar das prisões, delegados e juízes começaram a ser ameaçados por integrantes da pistolagem, o que não intimidou os profissionais. A prisão dos envolvidos resultou ainda em outras operações realizadas em detrimento desta, o que se pode chamar de ramificações criminosas.

O assunto teve repercussão a nível nacional sendo destaque no Fantástico, programa exibido pela Rede Globo. O delegado Regional da 5ª Delegacia, em Patos, Cristiano Jacques, destacou que a briga entre famílias no estado da Paraíba é algo histórico e que antes mesmo de ser nomeado enquanto delegado regional há pelo menos seis anos, já havia notícias da guerra entre os clãs da região.

?Foi algo que ninguém, até então, não quis colocar as mãos naquele conflito. E graças ao um trabalho em conjunto com a delegacia regional de Catolé do Rocha, foi colocado fim àquela guerra; e pelo menos desde que essas pessoas estão presas não houve nenhum homicídio, já que a própria história registra aproximadamente 100 homicídios oriundos da guerra entre essas famílias?, explicou.

De acordo com o Secretário de Segurança Pública do Estado da Paraíba, Cláudio Lima, essa foi a maior operação de destaque no primeiro ano do Governo Ricardo Coutinho.

Ainda em 2011, as polícias realizaram duas edições da Operação Alto da Tubiba. A primeira resultou na prisão de 17 pessoas envolvidas com homicídios e assalto ao Multibank, e a segunda, 10 pessoas foram presas acusadas de tráfico de droga, assaltos e homicídios.

E o trabalho da Polícia Civil não parou! Já em Fevereiro de 2012, ela deu continuidade às investigações com relação ao tráfico de droga em Patos. Visando coibir as ações criminosas, as Polícias Civil e Militar cumpriram 42 mandados de busca e apreensão, o que culminou na prisão de 22 pessoas, entre homens e mulheres, envolvidas com o tráfico, além de apreenderem armas em poder delas. A Operação AABRAHN (do Grego - "Aquele que tem garra e força") visou combater essa ação criminosa, tendo em vista que alguns componentes presos cumpriam o papel de serem braços direito ou vendedores dos líderes presos na Operação Hidra I, relatada logo mais ainda nesta edição. ?Tudo era interligado dentro deste contexto do tráfico de drogas?, afirmou Cristiano.

Operação Hidra I

Vinte e três mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos na oportunidade, na cidade de Patos. A Operação Hidra teve o objetivo de prender suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas nos Presídios do Sertão paraibano, e de envolvimento no homicídio do detento Marcelo Oliveira, preso na Operação Laços de Sangue, deflagrada em Setembro do ano passado.

A ação teve a participação das Polícias Civil, Militar, Rodoviária Federal e CIOSAC de Pernambuco, quando foram presas 31 pessoas, entre elas, três mulheres das cidades de Patos, Catolé do Rocha, Sousa e São José do Egito-PE, todas envolvidas no tráfico.

Na Operação, foram presos o ex-diretor do Presídio Regional Romero Nóbrega e o também então diretor, Estênio Dantas e Demitrius Dias, respectivamente, além de cinco agentes penitenciários, identificados como Emanoel, Wigne, Ivanildo e Daniel. Estênio havia sido exonerado do cargo em meados de Fevereiro.

Para o Delegado Regional de Patos, a prisão dessas pessoas representa um novo momento. ?É uma responsabilização dessas pessoas que estão praticando atos criminosos. Mostra-se, então, um tempo diferente em que a impunidade é praticamente zero?, afirmou. Após as investigações, foi oferecida denúncia por parte do Ministério Público, e a partir do momento em que o judiciário as recebeu, o processo começa a ser instaurado e correm-se os trâmites normais.

A ligação entre os envolvidos nos crimes ocorridos de dentro dos presídios representava uma grande extensão entre os participantes. Durante as investigações, por exemplo, foram evidenciados contatos com presídios de vários locais, como o Aníbal Bruno em Pernambuco, São Paulo e Rio Grande do Norte. ?Então, a influência desses criminosos que comandavam o sertão da Paraíba era imensa, inclusive com uma capacidade enorme de corromper servidores públicos dos quais foram presos sete no dia da Operação, em 21 de Março deste ano?, explicou.

Outra ação da Polícia Civil foi a realização da Operação Integração juntamente com o CIOSAC/PE que resultou no desmanche de uma plantação de maconha na cidade de Orocó, Pernambuco. Na oportunidade duas sementeiras (local onde se planta), totalizando cerca de 22 mil pés de maconha foram cortados e incinerados. Com o corte da plantação, evitou-se a entrada da droga na cidade de Patos e região.

Complexidade de Patos

O que significava uma cidade pacata, Patos não mais se caracteriza como tal. Por ser um município de localização privilegiada com acesso para os estados vizinhos de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, a capital do sertão é rota para traficantes, fato este que pede uma melhor preparação das polícias.

Desde que tomou posse na 5ª Delegacia Regional, Cristiano Jacques, explicou que deparou-se com uma situação complexa, ou seja, falta de organização. Foi quando deu início aos cursos idealizados pela Polícia Civil em detrimento da especialização do efetivo local.

 A 5ª DRPC realizou no início do ano passado o primeiro curso para ingresso no Grupo Tático Especial (GTE). Outras medidas foram tomadas, a exemplo da padronização de veículos com películas pretas com símbolos diferentes, além do curso de combate a assaltos a bancos, que até então, segundo o delegado, não tinham despertado para preparar esses profissionais para o ingresso no combate à criminalidade. Outras formações foram realizadas para um melhor desempenho do quadro. ?Este ano tivemos um curso com instrutores do GATE, bem como o EOSAC (Estágio técnico de Caatingas no CIOSAC)?.

Ele informou que esta foi a primeira equipe de Polícia Civil do Brasil a realizar esse tipo de curso. ?Desde o momento que assumimos esta regional, procuramos sempre qualificar os nossos profissionais para um desempenho melhor de suas funções?, garantiu.

Para o Delegado Regional, a polícia procura se especializar, embora as organizações criminosas tenham pessoas preparadas intelectualmente, mas, moralmente deixem a desejar.

Cristiano Jacques deixa claro que o crime não é um problema apenas da polícia, mas também social, tendo em vista a geração de uma melhor expectativa de vida com abertura de escolas com condições, geração de emprego. ?Já o trabalho de polícia é repressivo e paliativo, sendo que ela não acaba com a criminalidade; o que acaba com a criminalidade é a educação. O ser humano a partir do momento em que se educa e deixa de fazer o que é errado, ai sim, ele vai sair do crime, ou não vai se quer chegar a entrar?, garantiu.

Acilene Candeia/RádioSertãoAM

Foto: Horaexata

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