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O que é mesmo o HPV? Tem cura?

Por: Redação Fonte: Ricardo Souza
13/02/2014 às 10h34
O que é mesmo o HPV? Tem cura?
HPV - Papilomavírus Humano, é um DNA vírus que afeta pele e mucosas, especialmente dos genitais, transmitido por contato pele-pele ou pele-mucosa. É considerado o maior carcinógeno humano após o tabaco, sendo responsável por 5% dos cânceres. O câncer do colo uterino é o mais incidente. Está dividido em mais de cem tipos (6,11,16,18,31,33,45,...). Os do tipo 6 e 11 são causadores das lesões genitais externas conhecidas como “condiloma acuminado”, popularmente chamadas de “crista de galo”. Já os do tipo 16 e 18 são os mais oncogênicos e podem causar câncer do colo uterino, vulva, vagina, pênis, etc. Provocam as neoplasias intraepiteliais cervicais (NICs) que nem sempre evoluem para câncer, podendo ter índices de regressão superiores a 50% e até uma cura espontânea. Pacientes tabagistas (fumantes), portadoras de outras DSTs com Herpes, Clamídia ou HIV estão mais predispostas a terem uma evolução para casos mais severos, bem como as que têm predisposição genética. Em todos os estágios das NIcs (I, II ou III) existe tratamento eficaz. 

Não se deve se desesperar frente a um exame sugestivo de HPV, pois o vírus tem várias facetas, podendo ser um episódio passageiro, sem alterações importantes nem tampouco acusar alguém pela transmissão, já que o período de incubação(tempo que vai do contato à manifestação dos sinais e sintomas) é indeterminado, variando de meses há anos. Se a sintomatologia ocorre simultaneamente em ambos os parceiros, há possibilidade de acusações mútuas.
  
É uma doença de transmissão sexual, porém existem inúmeros casos em que é difícil se determinar a forma de transmissão. A conduta sensata, à luz dos conhecimentos atuais é não supervalorizar uma hipótese, achando que por estar com HPV é sinônimo de que vai desenvolver câncer, não acusar alguém de ter transmitido o vírus sem também negligenciar e achar que ele vai desaparecer sozinho já que a cura espontânea e regressão são muito frequentes. Deve-se procurar um especialista: ginecologista, urologista ou outro para ter a melhor orientação, realizar exames necessários e ser bem acompanhado. Existem relatos de transmissão não sexual.

A VACINA CONTRA O HPV

Após décadas de pesquisa surgiu felizmente nos últimos anos a vacinação contra o HPV que se baseia em proporcionar anticorpos no líquido intercelular e ser capaz de inativar o HPV quando do contato com o mesmo. A eficácia máxima ocorre quando a vacina precede o início da atividade sexual. Entretanto, há eficácia mesmo que as mulheres já tenham iniciado a vida sexual e nas tratadas para HPV, uma vez que a infecção natural não leva à produção de anticorpos suficientes para proteção por tempo prolongado.
 
Existem dois tipos de vacina: a bivalente que age contra os vírus 16 e 18 considerados os mais oncogênicos, responsáveis pelas alterações celulares no colo uterino. É a “Glaxo Smith Kline-GSK” que deve ser administrada a partir dos 09 anos de idade, em três doses (0,1 e 6 meses). A outra, a quadrivalente, combate os vírus dos grupos 6,11,16 e 18 protegendo assim contra as lesões genitais externas, e câncer de vulva(11) e contra o câncer de colo e vagina(16 e 18), é a “Merck Sharp Dohme-MSD) que deve se administrada na faixa etária entre 9 e 26 anos em três doses (0,2 e 6 meses).
 
É provável que as vacinas forneçam proteção em longo prazo (10 a 20 anos), mas ainda não  sabemos por quanto tempo se fica protegido após o esquema de três doses. Como colocado anteriormente, as mulheres que ultrapassem estas faixas etárias também podem ser vacinadas. Embora a preferência seja para as pessoas que não iniciaram a vida sexual ativa, já se indica se vacinar as que estão em plena atividade sexual. 
                        
Josias Álvares da Nóbrega Neto-Ginecologista-Obstetra- CRM 3616
 
 
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