A obesidade é uma doença crônica, de causa multifatorial, em expansão, em que ocorre uma sobreposição de fatores genéticos e ambientais. A prevalência da obesidade é crescente, não somente em adultos, como também em crianças e adolescentes.
A obesidade não é um fenômeno recente na história da humanidade, entretanto, nunca havia alcançado proporções epidêmicas como atualmente se observa. A obesidade pode iniciar em qualquer idade e ser precipitada por fatores como o desmame precoce, introdução inadequada de alimentos, distúrbios de comportamento alimentar e da relação familiar, especialmente nos períodos de aceleração do crescimento.
As causas, para explicar esse aumento tão importante no número de obesos no mundo, estão ligados às mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares. Nota-se a utilização cada vez mais frequente de alimentos industrializados, geralmente com alto teor calórico à custa de gordura saturada e colesterol. Além disso, avanços tecnológicos proporcionam maior sedentarismo verificado entre crianças e adolescentes que permanecem muitas horas sentadas em frente à televisão, videogames e computadores.
Sendo a obesidade infantil uma afecção reconhecida por gerar consequências maléficas em curto e longo prazo e por ser importante preditor de obesidade adulta, sua prevenção, seu diagnóstico precoce e tratamento efetivo, nas primeiras etapas de vida, são fundamentais para melhoria do prognóstico.
É importante uma maior compreensão relacionada à obesidade e suas complicações, por parte dos responsáveis diretos pela população infantil. Sem este reconhecimento, haverá um progressivo aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade na população infantil, e consequente aumento da prevalência da obesidade e de suas complicações na população adulta, de modo que políticas intervencionais dirigidas à população adulta, apesar de interessantes e necessárias, não serão suficientes para determinar o controle efetivo dessa afecção.
A importância maior do diagnóstico da hipercolesterolemia na infância reside na prevenção de eventos, principalmente cardiovasculares, que possam limitar ou tirar a vida útil das crianças. Esse diagnóstico tem implicações de ordem médica, social e psicológica na vida dessas crianças, devendo haver cautela na sua elaboração e atenção para um bom relacionamento médico-paciente-família, essencial ao acompanhamento.
A Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO, 1998) recomenda o uso do IMC para o estabelecimento do diagnóstico de obesidade, tanto na perspectiva da avaliação epidemiológica quanto na do diagnóstico individual.
O tratamento da obesidade na criança costuma ser negligenciado, na tentativa de uma resolução espontânea, entretanto há probabilidade de persistir na vida adulta. Prevenir a obesidade infantil significa diminuir, de forma racional e menos onerosa, a incidência de doenças crônico-degenerativas.
A prevenção é o melhor caminho para o controle da obesidade infantil, devendo ser direcionada simultaneamente aos alvos primordial, primário e secundário, com metas apropriadamente diferentes. A prevenção primordial visa prevenir que as crianças se tornem de risco para sobrepeso; a prevenção primária objetiva evitar que as crianças de risco adquiram sobrepeso; e a prevenção secundária visa impedir a gravidade crescente da obesidade e reduzir comorbidade entre crianças com sobrepeso e obesidade. Neste cenário, as prioridades básicas de ação podem ser identificadas, priorizadas e vinculadas às estratégias de intervenção potencialmente satisfatórias.
Ana Elisabeth Sá da Nóbrega Lima - Pediatra CRM-5731
Médica cooperada Unimed Patos