O ex-secretário de Educação de Patos, José Francisco de Sousa (Zeca) deverá assumir o cargo de secretário de Saúde do município de Várzea, no Vale do Sabugi.
A informação sobre o nome de Zeca como secretário na gestão do Prefeito José Ivaldo (DEM), foi confirmado pela própria secretária de Saúde, Marcia Lima, que publicou em sua pagina pessoal numa rede social da internet, o desligamento do cargo por motivos de contradições ideológicas da gestão em relação a política de Saúde.
?O mundo é cheio de injustiças, tristezas, tragédias e quem tem a oportunidade de ajudar, deve ajudar. Fazendo isso pelo próximo, fará também por si mesmo. Hoje eu acredito que a compaixão e a caridade devem estar no coração de um gestor, principalmente um gestor de saúde pública, que tanta coisa vê que tanta coisa pode fazer pra ajudar a quem precisa. Por tudo isso, é preciso seguir em frente, pra prestar serviço à sociedade e fazer um contraponto a quem deseja apenas amealhar riquezas, locupletar familiares e não se apieda do sofrimento do próximo.?, escreveu a secretária em um dos trechos de seu texto publicado.
Em outro trecho, a secretária fala da substituição de seu nome no cargo por Zeca. ?O que não foi possível realizar, Zeca, você terá a oportunidade de fazê-lo. 4 anos e 3 meses foi pouquíssimo tempo para realizar o que sonhei para a saúde de Várzea, mas foi muito para conceber mais sonhos, e para construir os sonhos que tenho hoje. E, para que eu possa continuar, hoje eu tenho que parar".
"Encerro minhas palavras, pensando da mesma forma que Juscelino Kubitschek de Oliveira, o homem que construiu Brasília, e que apesar da grande obra, dizia que sua principal realização foi cultivar a democracia e manter a liberdade do povo Várzeense. Que Deus nos abençoe, e meu muito obrigado.?, concluiu.
Confira a nota na integra;
Hoje, após 4 anos, 3 meses e 15 dias, saio do cargo de Secretário de Saúde de Várzea. Deus quis que eu recebesse essa missão de grande responsabilidade, ao final do ano de 2009, ainda com 35 anos de idade. Missão que não esperava ter em minha vida, mas que de pronto aceitei, pautado em tudo aquilo que havia aprendido até aquele momento, desde os ensinamentos que recebi no seio familiar, à educação das professoras do primário, até os mestres do curso de Pedagogia e das Pós graduações em Saúde.Tudo o que eu havia aprendido resumiu-se, naquele instante, na coragem de aceitar um desafio em que eu não poderia falhar: cuidar da saúde do povo de minha terra.
A partir dali, minha vida tomava um curso inevitável e intenso de aprendizado, uma busca incessante por informações, fatos, experiências, dados, e tudo o mais que pudesse me auxiliar na minha nova função, para que eu pudesse derrubar o estigma criado de que um secretário que não era da área da saúde não daria conta do recado. Para conseguir enfraquecer esse discurso das mentes conservadoras, arrogantes, e presunçosas, a receita era a obstinação em querer aprender e uma dedicação sacerdotal para esse trabalho. E assim o fiz. Para isso, de forma gradativa, fui eliminando minhas outras atividades profissionais e intelectuais, inclusive vários cursos de Especialização na área de saúde Pública, na FIOCRUZ e Nas Faculdades Integradas de Patos, foram 05 ao todo até me tornar exclusivamente gestor do SUS.
As bolsas de apostas me davam algo em torno de 60, 90 dias... no máximo 6 meses como secretário. A turma do ?quanto pior, melhor?, estava armada, atenta, na ânsia de que as coisas dessem errado, e que eu, finalmente, corresse com a sela. Isso não aconteceu, e, pra tristeza de muitos, tomei como lema da minha jornada, o refrão daquela conhecida música de Luiz Gonzaga: ?só deixo o meu cariri, no último pau-de-arara?.
Deus, nosso pai celestial, fortaleceu mais do que nunca minha fé, para que eu pudesse seguir em frente, independente das adversidades, independente das pedras que existissem em meu caminho. Fui perseverante por que sempre me senti como uma rocha quando minha fé era colocada à prova. Por que fé é acreditar, é ter a certeza, e sempre tive certeza que eu era amparado por essa força divina. Por isso eu digo: obrigado, Senhor!
E esse ?obrigado?, que quer dizer agradecido, grato, deve ser direcionado a muitas pessoas nesse momento. Aos meus pais guerreiros, lutadores, que de tudo fez para me dar educação, instrução, e que me fez ser gente. Meu esposo que me apoiou em todos estes momentos, inclusive neste e aos meus filhos que os abandonei muitas e muitas vezes para lutar para o melhor da saúde da minha terra, além de tudo, pelo apoio concedido em todo esse período e que depositaram sua fé posicionada pelo meu bem e pelo bem da saúde do povo de Várzea. E reafirmo o compromisso de continuar lutando em prol deste objetivo. A todos aqueles que precisarem podem me procurar que estarei à disposição como sempre estive.
Agradeço aos meus auxiliares, servidores da Secretaria Municipal de Saúde em respeito a todos cito minha companheira de todas as horas LILI em seu nome aos demais, que de perto vivenciaram nossa missão, responsabilidade e nosso temperamento. Aos servidores da Unidade Básica de Saúde em primeiro lugar a Rivânia que foi tudo aqui dentro embora criticada por alguns algozes pela sua limitação estudantil e a tantos outros, Centro de Fisioterapia, Ao serviço de Ginecologia Especializada nas pessoas do Dr. Otoni e Dr. Orlando meus eternos mestres e que muito contribuíram para que eu suportasse a carga tão pesada até agora, pois a realização deste projeto é algo em que me faz assim como outras ações hoje estar de consciência tranquila e cabeça erguida com a certeza do dever cumprido, pois estamos tratando todas as mulheres do meu município para que as mesmas não venham ao óbito pelo Câncer do colo do útero assim como desejaria fazer com a saúde do homem e não foi acatado e não obtive mais forças suficientes para lutar, mesmo assim continuei firme apoiado minha equipe a seguir à medida que davam assistência ao povo de Várzea, estavam contribuindo para o nosso trabalho, a esses também estou muito grato. Agradeço aos agentes de endemias, que é um grupo coeso que de casa a casa combatem os vetores que tão produzem doenças.
Agradecemos a todos os médicos, enfermeiros, dentistas, auxiliares e técnicas em enfermagem, auxiliares em Saúde Bucal, vigias, zeladores e motoristas, NASF, a categoria dos Agentes Comunitários de Saúde, a qual falarei mais adiante, todos que estão na linha de frente da nossa saúde, quer seja na saúde preventiva ou curativa. Vocês têm minha gratidão, e saibam que sempre depositei confiança em suas responsabilidades por que uma andorinha só, não faz verão.
Agradecemos ao nosso prefeito Galego, pela oportunidade que nos deu de servirmos ao povo de Várzea. Não só pela nomeação, mas, principalmente, pela nossa manutenção no cargo, diante de tantas atribulações, e de tantos interesses pessoais e mesquinhos que desejaram, em muitos momentos deste governo, que nós fossemos apeados do cargo. Gratidão essa que gostaria de estender à primeira-dama do município, Dona Ana.
Agradeço às lideranças comunitárias, ao conselheiro de saúde, aos vereadores da base aliada e os adversários a todos que contribuíram nos dando ciência dos problemas da sociedade e cobrando a resolução dos mesmos. Agradeço aos amigos, aos aliados, aos companheiros de luta política, e às pessoas que me querem bem. Agradeço ao povo de minha amada terra pela acolhida, pela compreensão, pela amizade, pelo respeito, pelo reconhecimento do nosso trabalho. Isso não tem preço.
Em se tratando da nossa relação com os servidores, as palavras de ordem foram respeito, diálogo, entendimento e consenso, com todas as categorias profissionais. Os servidores foram ouvidos e tiveram melhoria na concessão de seus direitos, sem medo de serem perseguidos por estarem fazendo reivindicações, as quais extremamente legítimas.
E hoje é um dia histórico para a saúde de Várzea O secretário de todas horas e de todos saí do cargo por não conseguir mais forças para lutar por vocês, Aos Agente Comunitário de Saúde, membro desta categoria que é instituição de saúde mais próxima da família brasileira, que visita suas residências e tem a grande responsabilidade de promover a saúde para o povo, quero deixar meu ensinamento que sempre faça e faça o melhor.
Quero dizer que as mentes conservadoras sempre pré-julgam, pré-conceituam, pré-determinam. Da mesma forma que fizeram comigo, mas foi o esforço e o compromisso que mostraram que poderíamos fazer um grande trabalho. Em muitos momentos, os críticos mordazes e inconformados tentaram passar a imagem à população equivocada, eis minha decepção, as vezes de onde nunca deveria ter vindo.
Como em qualquer outro lugar do país, não conseguimos totalmente abolir os problemas da saúde pública do nosso município, situação esta que não deixa de ser um sonho que temos. Saúde Pública nunca é plena, sempre é preciso se fazer mais, e nós fizemos o que era possível, e, muitas vezes, fizemos o que era quase impossível. A quem deixou de ajudar a nossa gestão por questões políticas, pessoais, ou por puro boicote, eu lamento... não por mim, mas pelo povo que foi penalizado, quer por uma informação mal dita, por um procedimento mal executado, ou um atendimento grosseiro. Sei que casos como esses realmente ocorreram, mas, tenho certeza que foram só exceção à regra, porque a grande maioria dos colaboradores trabalhou pautado no seu profissionalismo e ética, objetivando o bem estar do paciente. Como gestor, e como cidadão Varzeense, sou muito grata por isso.
A instabilidade política às vezes foi minha companheira durante algum tempo. Sofri turbulências, solavancos, lapadas, bordoadas, calúnias, acusações levianas e fogo amigo.
O intuito destrutivo com que a oposição lidava com minha pessoa era algo que me causava espécie, embora soubesse inúmeras razões de motivação pessoal e política para que o fizessem. Tamanha era o descaramento e a desfaçatez que alguns criavam inverdade, e, o pior, que outros reproduziam as inverdades como se fossem verdades absolutas. Mas as críticas, por mais levianas que fossem, sempre foram ou absorvidas, ou rebatidas. Nunca abafadas, nunca suprimidas. Eu agradeço aos adversários, aos críticos, aos opositores, por cada pancada, cada palavra, por que me foram muito úteis para que, sobre elas, eu pudesse erguer e reerguer mais argumentos e minhas estratégias.E a alguns correligionários que também torceram contra meu lamento pois estes não conhecem e não buscam o bem desta terra, a eles a nossa democracia irá lhe julgar.
Sou um entusiasta do SUS. E isso se retrata na minha curta trajetória na área. Nesse meio tempo me tornei gestor do SUS pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, galguei cargos de representação estadual e nacional como a cadeira na Comissão Intergestores Bipartite da Paraíba, há quase três anos, no Conselho Estadual de Secretários Municiapais de Saúde da Paraíba ? COSEMS representando os gestores municipais da 3ª Macro Regional, órgão de representação onde poucos secretários de saúde paraibanos passaram. Tudo isso fruto do nosso posicionamento e representatividade perante os colegas secretários, e nosso conhecimento adquirido nesse curto espaço de tempo.
Fazer saúde não reside apenas na frieza de um equipamento, na imponência de um prédio, nem nas letras rabiscadas de uma receita. Fazer saúde vai muito mais além do que isso. Fazer saúde é acolher, é o bem tratar, é saber ouvir, é receber com educação. O que mais me engrandeceu em todo esse período foi conviver com os dramas pessoais de cada uma das pessoas que buscaram socorro conosco. É difícil de compreender como a frieza e a indiferença pode fazer parte do cotidiano de certos agentes públicos.
É impossível ficar indiferente diante de pessoas que têm necessidade de comer e passam fome, têm necessidade de se curar e não sabem pra onde ir, que têm doenças incuráveis, e não tem um conforto, que sabem que têm a morte como destino certo e prazo determinado, e que já passa a computar seus dias em contagem regressiva, e que às vezes apenas uma palavra de força e fé é suficiente para diminuir os seus sofrimentos. Nesses anos, os dramas pessoais de cada um se confundiram com o meu dia-a-dia, e me fizeram ter a certeza de que sempre é preciso que tenha alguém que se responsabilize e tenha a missão de ajudar ao próximo. Quer seja o poder público, quer seja uma ONG quer seja cada um de nós como cidadão. O mundo é cheio de injustiças, tristezas, tragédias e quem tem a oportunidade de ajudar, deve ajudar. Fazendo isso pelo próximo, fará também por si mesmo. Hoje eu acredito que a compaixão e a caridade devem estar no coração de um gestor, principalmente um gestor de saúde pública, que tanta coisa vê que tanta coisa pode fazer pra ajudar a quem precisa. Por tudo isso, é preciso seguir em frente, pra prestar serviço à sociedade e fazer um contraponto a quem deseja apenas amealhar riquezas, locupletar familiares e não se apieda do sofrimento do próximo.
Atendemos a todos sem distinção de cor, gênero, classe social, doutrina religiosa ou preferência partidária. Essa foi a nossa bandeira. Atendemos a gregos e troianos, por que saúde é coisa séria, saúde é responsabilidade, e questões pessoais e partidárias se tornam medíocres diante da seriedade e compromisso que se deve agir nesse cargo.
Hoje é um dia muito importante na minha vida: um dia que constato em público o quanto aprendi, envelheci, amadureci, ouvindo mais e respeitando sempre. Sou uma pessoa como qualquer outra, com defeitos e qualidades. Talvez defeitos novos tenham aparecido, mas tenho convicção que o saldo foi positivo, ou superavitário, como a gente diz nas ciências econômicas. Posso dizer, de peito aberto, que, apesar dos pesares, fui muito feliz sendo Secretário de Saúde de Várzea, principalmente por conhecer as pessoas que conheci, conviver com as pessoas que convivi, em construir as amizades que construí.
E, com total desapego, Saio neste momento, complementando tal decisão com um jingle que foi entoado por quase metade da população brasileira em 1989, que tinha a seguinte frase: ?sem medo de ser feliz?.
O que não foi possível realizar, Zeca, você terá a oportunidade de fazê-lo. 4 anos e 3 meses foi pouquíssimo tempo para realizar o que sonhei para a saúde de Várzea, mas foi muito para conceber mais sonhos, e para construir os sonhos que tenho hoje. E, para que eu possa continuar, hoje eu tenho que parar.
E não só apenas cultivarei os sonhos que tenho para a saúde de Várzea, mas os desejos e anseios que tenho e desejo ver no município como um todo. Vou continuar com o povo da nossa terra, trabalhando diuturnamente pelo nosso grande ideal: manter Várzea uma cidade onde seu adjetivo nome traz seu legado. E encerro minhas palavras, pensando da mesma forma que Juscelino Kubitschek de Oliveira, o homem que construiu Brasília, e que apesar da grande obra, dizia que sua principal realização foi cultivar a democracia e manter a liberdade do povo Várzeense.
Que Deus nos abençoe, e meu muito obrigado.?
Márcia
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