A lona preta escondia a luz do maçarico, enquanto os bandidos arrombavam silenciosamente o caixa eletrônico do Banco do Brasil, na sede da Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (Empasa).
O crime foi um dos 95 ataques a instituições financeiras ocorridos no primeiro semestre desse ano na Paraíba, o que mostra um aumento de 196,88% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 32 ataques foram registrados no Estado. No ranking nacional, saltou da 12ª colocação, no primeiro semestre do ano passado, para a 5ª colocação no primeiro semestre desse ano.
Os dados estão inseridos na '5ª Pesquisa Nacional de Ataques a Bancos', elaborada pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) e Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), com apoio técnico do Dieese. Em nível regional, a Paraíba está na 2ª colocação do Nordeste em maior número de ataques deste tipo, perdendo apenas para Bahia (117). A Paraíba concentra 18% dos 524 crimes praticados contra instituições financeiras da região.
O aumento da violência praticada na Paraíba superou a média nacional, que ficou em 17,7%. De acordo com o estudo, no Estado ocorreram 24 assaltos e 71 arrombamentos no período analisado, contra 15 arrombamentos e 17 assaltos em igual período do ano passado. Os arrombamentos tiveram uma variação de 373,3%, enquanto em relação aos assaltos foi verificado um aumento de 41,2%.
Quem já presenciou um desses ataques não esconde o medo.
?É a pior coisa do mundo?, afirmou um aposentado que preferiu não se identificar. A residência dele chegou a ser atingida por partes do caixa eletrônico que foram arremessadas após a explosão, que ocorreu em João Pessoa. Porém, o crime mais emblemático no Estado aconteceu no mês de maio, na cidade de Princesa Isabel, no Sertão. Um grupo formado por 15 homens invadiu a cidade, assaltou dois bancos, efetuou vários disparos e chegou a fazer reféns.
Na Empasa, o caixa eletrônico arrombado ainda permanece no local e os funcionários se sentem prejudicados por não poderem mais contar com o serviço. ?É um descaso do banco. Não resolveram nada, a máquina continua aqui, mas não tem qualquer serventia?, disse o chefe da seção de Compras e Material da Empasa, Carlos Queiroz.
O número apresentado pelo estudo é superior ao levantamento feito pelo Sindicato dos Bancários, que totalizou 82 ocorrências de janeiro a junho deste ano. ?Se a gente analisar os dados proporcionalmente à população, veremos que a Paraíba está em primeiro lugar. Isso tudo aconteceu em virtude da falta de responsabilidade dos bancos em políticas de prevenção?, destacou o presidente do Sindicato dos Bancários, Marcos Henrique.
Ele ainda ressaltou que a aprovação de um projeto de lei, que permite o monitoramento em tempo real dos bancos, fora das agências, poderá minimizar as ocorrências. ?Agora o criminoso vai saber que está sendo monitorado em tempo real. O déficit no efetivo da Polícia Militar (PM) por si só mostra a ausência do poder público, faltam estratégicas táticas no que diz respeito ao monitoramento de fronteiras e estruturação da Polícia Civil (PC)?, concluiu Marcos Henrique.
POLÍCIA
Apesar dos ataques terem aumentado no Estado, o delegado geral de Polícia Civil Isaías Gualberto acredita que neste semestre será possível alcançar uma redução em relação aos 6 meses anteriores. ?Já perdemos para o ano passado, mas neste semestre será verificada uma redução?, estimou Gualberto. Ele ainda destacou que o número de assaltos praticados na Paraíba é pequeno quando comparado à realidade de outros estados.
?Aqui acontecem principalmente arrombamentos de caixa eletrônicos com explosivos, maçaricos, pé de cabra. É importante destacar que mais de 300 pessoas foram presas por praticar estes crimes. Temos a operação Divisa Segura, onde há integração e troca de inteligência entre as polícias de todos os estados do Nordeste?, afirmou Gualberto.
Para reduzir os ataques, o delegado geral adjunto destacou a existência de uma lei estadual que obriga os bancos a instalar câmeras nos locais onde há caixas eletrônicos, além disso, a lei 12.850, prevista para entrar em vigor no próximo mês, define o conceito de organização criminosa e pune este tipo de crime com maior rigor. ?É uma lei importante porque nós prendemos quadrilhas no ano de 2011 que já estão nas ruas?, concluiu Isaías Gualberto.
Fonte: Jornal da Paraíba