Tenho visto ao longo dos meses que alguns dos nossos conterrâneos não estão preocupados em fazer a sua parte em plantar/preservar árvores ou plantas ornamentais. Pelo contrário, estão muito mais ávidos em querer destruir ou até mesmo arrancá-las, em contraponto a tudo que tem sido feito no resto do mundo, onde toda a população é envolvida no plantio de árvores, melhorando o aspecto verde dos centros urbanos.
Aqui em Patos temos visto justamente o contrário!
Não se pensa duas vezes em arrancar ou derrubar uma árvore, e os motivos são muitos, que aliás nenhum justifica a retirada de qualquer planta, especialmente quando a mesma já se encontra em um estágio avançado de desenvolvimento. Já ouvi munícipes justificando tal atitude afirmando que retiraram a árvore porque estava prejudicando a fachada do seu comércio, porque a espécie estava doente, porque estava acumulando pragas, porque estava enfeando sua residência, e principalmente porque a tinha plantado e como era ?dono? poderia fazer o que bem entendesse.
Como dito, nenhum motivo justifica a retirada, mais para reforçar os benefícios, trago algumas vantagens de se ter uma cidade arborizada e manter o município mais verde. Vejamos:
REDUÇÃO DA TEMPERATURA
As árvores e outros vegetais interceptam, refletem, absorvem e transmitem radiação solar, melhorando a temperatura do ar no ambiente urbano. No entanto, a eficiência do processo depende das características da espécie utilizada, tais como a forma da folha, a densidade foliar e o tipo de ramificação. O vento também afeta o conforto humano e seu efeito pode ser positivo ou negativo, dependendo grandemente da presença de vegetação urbana. No verão, a ação do vento, retirando as moléculas de água transpiradas por homens e árvores, aumenta a evaporação. No inverno, significa um aumento do resfriamento do ar. Assim, além de estabilizar a temperatura ambiente, evitando os efeitos da insolação nas horas mais quentes do dia, estudos científicos demonstram que bairros arborizados apresentam temperaturas cerca de 4°C inferiores àquelas das áreas edificadas não arborizadas. Em tempos de aquecimento global, essa redução não é desprezível, já que estudos apontam que a temperatura média em nosso estado deverá elevar-se até 3°C neste século.
REDUÇÃO DA POLUIÇÃO URBANA
As árvores no ambiente urbano têm considerável potencial de remoção de partículas e gases poluentes da atmosfera. No entanto, a capacidade de retenção ou tolerância a poluentes varia entre espécies e mesmo entre indivíduos da mesma espécie. Algumas árvores têm a capacidade de filtrar compostos químicos poluentes, como o dióxido de enxofre (SO2), o ozônio (O3) e o flúor. Mesmo considerando-se que as árvores podem agir com eficiência para minimizar os efeitos da poluição, isso só será possível por meio da utilização de espécies tolerantes ou resistentes. Os danos provocados pela poluição atmosférica podem ser muito significativos, dependendo principalmente das espécies utilizadas e dos índices de poluição. A folhagem funciona como filtro de ar por reter materiais particulados em suspensão que serão posteriormente lavados para o solo pelas águas das chuvas.
REDUÇÃO DOS RUÍDOS
O nível de ruído excessivo nas cidades, provocado pelo tráfego e por diversas outras fontes, afeta psicológica e fisicamente as pessoas. A presença das árvores reduz os níveis da poluição sonora ao impedir que os ruídos e barulhos fiquem refletindo continuamente nas paredes das casas e edifícios, causando uma sensação de um som permanente, similar ao que sentimos ao falar numa sala vazia, sem móveis. Isto é, as árvores e suas folhas contribuem para absorver a energia sonora fazendo com que os sons emitidos desapareçam rapidamente. Funciona literalmente como dissipadores.
E quanto vale uma árvore?
Pode-se atribuir às árvores um valor sentimental, cultural ou histórico. Alguns deles são valores subjetivos, difíceis, portanto, de quantificar. A maioria das pessoas considera o fator estético como o principal na arborização urbana, em virtude da aparência das árvores ser direta e imediatamente perceptível, ao contrário dos demais benefícios. Estudos mostram que uma árvore tem valor estimado de R$ 550,00/árvore/ano. Considerando-se um tempo de vida de 50 anos e uma taxa de juros de 5% ao ano, o valor de uma árvore urbana chega à incrível marca de R$ 115.000,00.
Não podemos também deixar de considerar que o fato de destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia é considerado crime ambiental, conforme preleciona o art. 49 da Lei dos crimes ambientais, com previsão de pena de detenção e multa.
Pergunto novamente: porque então a população insiste em querer derrubar árvores e não preservá-las? Diante de tantos benefícios é inconcebível, nos dias de hoje, vê uma planta ser derrubada por qualquer motivo.
Dessa forma, a vegetação urbana, atuando no âmbito físico e mental do ser humano, causa-lhe bem estar por atenuar o sentimento de opressão típico das grandes cidades.
Temos que mudar essa mentalidade, pois além de morarmos numa cidade onde o clima é quente e seco, e não à toa que é denominada morada do sol, a árvore, esse ser vivo é de suma importância para um ambiente saudável e sustentável.
Advogado, especialista em meio ambiente e educação ambiental
Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento.
Professor universitário
Autor do Livro ?Manual de Direito Ambiental?