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Meio Ambiente, São João e as novas (con)tradições

Por: Redação
10/07/2013 às 07h49
O mês de junho passou e com ele mais um São João ficou na história da nossa cidade. Finalizadas as comemorações relativas ao santos juninos, paremos um pouco para refletir sobre algumas tradições antigas em contraponto a novos costumes que se apresentam diante da nossa sociedade. Senão vejamos.

A primeira grande tradição deste mês festivo é em relação às fogueiras. Sempre na véspera de São João (23.06) e de São Pedro (28.06) a população mais tradicionalista costuma acender sua fogueira em frente as suas casas para reunir a família, regada à comida típica e fogos de artifício.

O fato de ter uma fogueira para manter a tradição traz consigo uma problemática: a madeira. Hoje que a discussão ambiental se faz presente em vários setores, devemos perguntar qual a origem dessa madeira utilizada nas fogueiras? O corte é autorizado ou não? Sem falar na poluição atmosférica que causa com toda a fumaça gerada com a queima desse artefato rústico.

Outro aspecto a ser analisado é a poluição sonora gerada tanto pela ?solta dos fogos? como dos tão criticados ?paredões de som?. Esse tipo de equipamento é utilizado por grupos de jovens que ?disputam? quem tem o melhor e maior som e quem faz mais barulho. Via de regra esses equipamentos são instalados nas malas dos veículos ou ate mesmo acoplados em reboques automotivos. Como causam muitos transtornos, essa prática vem sendo combatida pelos órgãos de defesa do meio ambiente, tais como a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a SUDEMA.

É de se avaliar também que esses festejos juninos da nossa cidade já ultrapassaram as fronteiras do estado, e é nesse período que turistas de várias localidades alugam casas, enchem os restaurantes e movimentam a economia local. Apesar das benesses essas pessoas trazem consigo também muita bagunça, como se esses ?turistas?, sempre bem vindos, diga de passagem, não tivessem regras e limites a obedecer. Principalmente nas ruas centrais, podemos ver diversos grupos ?passando dos limites?, sempre sob a falsa idéia de que aqui, no interior, não tem lei, nem regras de civilidade a cumprir. Vários ainda praticam alguns crimes de atentado violento ao pudor, pois não se preocupam com nada nem ninguém quando precisam fazer suas necessidades fisiológicas.

É bem verdade que todos têm o direito de se divertir e ouvir musica como bem entender. Entretanto, todos também devem respeitar os limites previstos em lei, e que muitos não entendendo essa limitação que é baseada no bem estar social, exageram no volume do som, e na ingestão de bebida de maneira desregrada.

Ainda dentro dessa temática de poluição sonora, foi imposto também por parte da Curadoria do Meio Ambiente local, um horário para o término dos shows no terreiro do forró. Alguns vêem como uma atitude louvável, já que encerrado as apresentações artísticas num horário mais cedo, a cidade como um todo pode voltar a sua normalidade também mais cedo. Opinião contrária também encontra defensores, pois muitos criticam tal postura por entender que a festa deveria amanhecer o dia, cumprindo a risca o que o mestre Luiz Gonzaga dizia: ?Quando eu entro numa farra, num quero sair mais não, vou inté quebrar a barra, e pegar o sol com a mão?.

Desta feita, vejo que a nossa festa junina foi e continuará sendo um grande evento, cheia de alegria, com tradições a seguir, e que mobiliza todos nós, patoenses e os turistas de várias localidades. Entretanto, a demanda por novas tradições e obediência a algumas regras devem ser consideradas, pois, como a própria sociedade é mutável, seus costumes e tradições também assim o são, e o aspecto ambiental deve impreterivelmente fazer parte dessa nova sistemática quando das comemorações aos santos juninos.

*Rodolfo Araujo

 Advogado, Professor mestre em meio ambiente e desenvolvimentos 

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