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Fúria x Brasil na final: Espanha passa sufoco contra a Itália, mas vence nos pênaltis

Por: Redação Fonte: Luanja Dantas
28/06/2013 às 08h24
Fúria x Brasil na final: Espanha passa sufoco contra a Itália, mas vence nos pênaltis
Casillas defende finalização de Maggio
A campeã do mundo mostrou sua força mais uma vez. A Espanha encarou uma Itália "mordida" na tarde desta quinta-feira no estádio do Castelão, em Fortaleza, viu o adversário chutar mais a gol durante os noventa minutos, teve até o domínio da posse de bola ameaçado, mas, no final, venceu por 7 a 6 nos pênaltis e será o adversário do Brasil na final da Copa das Confederações.
 
Vicente del Bosque, o técnico espanhol, com certeza será cobrado pela apaixonada imprensa de seu país. Apesar da classificação, os campeões do mundo tiveram uma atuação que em nenhum momento convenceu. No primeiro tempo tiveram a soberania da posse de bola, o que vem sendo comum. Mas viram a Itália chutar muito mais a gol, enquanto o goleiro italiano Buffon não sofreu qualquer ameaça.
 
Na segunda etapa, os italianos equilibraram até no quesito em que os espanhóis são os especialistas. Depois de 90 minutos, a posse de bola era de 55% para os campeões do mundo e 45% para os tetracampeões, a menor diferença no torneio.

Houve, no entanto, um mérito par a Espanha. Um mérito, no final das contas, decisivo: a paciência. Ameaçado com nove chutes no primeiro tempo, obrigado a correr atrás da bola no segundo, o time espanhol permaneceu frio. E assim, sem perder a cabeça, manteve o jogo empatado até o final mesmo sem jogar bem.
 
Nos pênaltis, a precisão que não existiu durante o tempo normal apareceu. A Itália marcou seus seis primeiros com Candreva, em ousada cavadinha, Aquilani, De Rossi, Giovinco, Pirlo e Montolivo. A Espanha fez com Xavi, Iniesta, Piqué, Sergio Ramos, Juan Mata e Busquets. Na sétima rodada de cobranças, Bonucci desperdiçou chutando por cima do gol de Casillar, e coube a Jesus Navas classificar a Espanha.
 
Depois do jogo mais desgastante da Copa das Confederações, disputado com a temperatura sempre na casa dos 30º C, a Espanha terá dois dias de descanso antes de enfrentar o Brasil no Maracanã. A decisão acontece às 19h (horário de Brasília) do próximo domingo. Mais cedo, às 13h, a Itália faz a decisão do terceiro lugar contra o Uruguai na Arena Fonte Nova, em Salvador.
 
O jogo 
 
Se havia alguma dúvida sobre qual seria a escolha da torcida brasileira no Castelão, ela acabou em poucos minutos. Desde o primeiro toque de lado no meio de campo, a Espanha ouviu as vaias que seguiriam até o final do jogo. Enquanto isso, a Itália tinha cada ataque - quase todos contra-ataques - apoiados pelos gritos das arquibancadas.
 
Também não demorou para que as estratégias ficassem claras. A Espanha tentando ganhar território na base do toque de bola, a Itália taticamente perfeita, com uma linha de cinco na defesa e outra de quatro no meio ao se defender, mas liberando todos os meias e até os laterais para o ataque quando roubava a bola.
 
Fernando Torres arrisca finalização ao gol de Buffon
 
Assim, a etapa inicial com estatísticas contraditórias. Se Nelson Rodrigues dizia que a toda unanimidade é burra, o mesmo poderia se dizer dos números no primeiro tempo deste Espanha x Itália. Pelo menos os números referentes à posse de bola, obsessão absoluta da Fúria. Nesse critério, o time campeão do mundo conseguiu seu tradicional domínio, com 62% a 38%.
 
Mas outros números, os de chutes a gol, deixaram claro que o time mais perigoso era a Itália. Foram 9 chutes a gol nos primeiros 45 minutos, 4 na direção correta. A Espanha chutou apenas duas vezes, com Pedro logo aos dois minutos e Fernando Torres aos 36, mas nenhuma das chances exigiu trabalho de Gianluigi Buffon.
 
Já as chances italianas vieram com um repertório variado. O lateral-esquerdo Giaccherini avançou com muita velocidade quando sua equipe recuperava a bola e, entre outras boas jogadas, criou a melhor chance do primeiro tempo, ao cruzar para cabeceio de Maggio quase dentro da pequena área. A boa conclusão, no entanto, terminou em uma excelente defesa do espanhol Casillas.
 
Para a segunda etapa, parecia obrigação espanhola fazer alguma mudança, ao menos na postura. Mas quem voltou com uma alteração foi Prandelli, que colocou o meia Montolivo em campo no lugar do zagueiro Barzagli, recuando De Rossi para a zaga definitivamente. Apenas oito minutos depois Vicente del Bosque respondeu colocando Jesus Navas no lugar de David Silva
 
As mudança fizeram com que as discrepâncias do primeiro tempo diminuíssem. Por um lado, a Itália foi aumentando a cada minuto sua porcentagem da posse de bola, Por outro, a Espanha finalmente arriscou mais chutes e, aos doze minutos, acertou pela primeira vez o gol, exigindo defesa fácil de Buffon justamente em chute de Navas.
 
Na altura dos trinta minutos, o que se via em Fortaleza era exatamente o oposto do esperado, com a Itália pressionando a defesa espanhola, ainda que isso não resultasse em boas chances com bola rolando. As ameaças vinham nas faltas e escanteios cobradas por Pirlo, sempre afastadas pela defesa da Espanha ou concluídas para fora.
 
Aos 39 minutos veio a chance pela qual a Espanha esperou o jogo inteiro. Fernando Torres carregou a bola pelo meio e abriu na direita para Navas, que tocou para trás na marca do pênalti. Quem chegou para concluir foi o zagueiro Piqué, mas instantes depois de sua esposa Shakira aparecer nos telões do Castelão e ser aplaudida, o jogador do Barcelona isolou a bola e foi alvo de vaias antes do final do tempo regulamentar.
 
Prorrogação 
 
Com o fim dos 90 minutos a expectativa era pelo desempenho físico dos times ao longo da prorrogação com o calor da capital cearense. Na prepação para o jogo, os espanhóis foram notícia pelos passeios na praia, baladas e até uma confusão com prostitutas no hotel. A Itália trabalhou mais e chegou a treinar em dois períodos, coisa que nenhum outro semifinalista fez.
Apesar das diferenças - ou por causa delas -, foi a Espanha quem finalmente pareceu acordar. Como não haviam feito antes, os campeões do mundo sufocaram o rival. Seus passes não eram mais de lado, mas sim em direção ao gol. A Itália se segurava como podia e, em um contra-ataque, quase marcou com Giaccherini, um dos destaques do jogo, que chutou forte na trave de Casillas.
 
O cansaço fez os dois times diminuirem o ritmo mais e mais. Os avanços, quando aconteciam, muitas vezes não chegavam ao fim mais por falta de forças dos ataques do que pela força das defesas. Somente com um "sprint final", a Espanha quase decidiu. Em chute de Xavi, Buffon espalmou e a bola ainda bateu na trave. No rebote, Javi Martinez chutou para fora. Aos 11 minutos, foi Navas quem chutou cruzado, com perigo, mas a decisão foi mesmo para os pênaltis.
 
Pênaltis 
 
Na decisão nas cobranças de pênaltis, finalmente as mais de 50 mil pessoas presentes no Castelão puderam gritar gol. Um a um, italianos e espanhóis foram convertendo, até a 13ª cobrança. Foi o número de azar para o italiano Bonucci, que chutou por cima do gol de Casillas e, instantes depois, viu Jesus Navas marcar e classificar a Espanha.
 
A torcida, brasileira, que "secou" a Espanha durante toda a Copa das Confederações, finalmente poderá torcer pelo seu próprio time. No torneio preparatório para a Copa de 2014, o Rio de Janeiro receberá no próximo domingo, no estádio do Maracanã, o jogo que todo o mundo do futebol tem esperado. De um lado, os únicos pentacampeões do mundo. Do outro, o melhor time dos últimos anos, que pode até jogar mal às vezes, mas que nesses momentos tem sido acompanhado de perto pela sorte.
 
FICHA TÉCNICA - ESPANHA 0 (7) X (6) 0 ITÁLIA
Local: Arena Castelão, em Fortaleza (CE) 
Data : 27 de junho de 2013, domingo 
Horário: 16 horas (de Brasília) 
Árbitro: Howard Webb (Inglaterra) 
Assistentes: Michael Mullarkey e Darren Cann (ambos da Inglaterra) 
Público: 
Cartões amarelos: De Rossi (Itália); Piqué (Espanha) 
Gols nos pênaltis: 
ESPANHA - 
ITÁLIA -
ESPANHA: Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Piqué e Jordi Alba; Busquets, Xavi e Iniesta; David Silva (Jesus Navas), Pedro (Juan Mata) e Fernando Torres (Javi Martinez) 
Técnico: Vicente del Bosque
ITÁLIA: Buffon; Maggio, Barzagli (Montolivo), Bonucci e Chiellini; De Rossi, Pirlo, Candreva, Giaccherini e Marchisio (Aquilani); Gilardino (Giovinco) 
Técnico: Cesare Prandelli
 
Uol 
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