Pouca gente sabe, mas um cenário com apenas dois nomes de peso na preferência do eleitorado paraibano, pode ser um fator decisivo para que o resultado das eleições em 2014 aconteça já no primeiro turno.
Isso porque, a falta de uma terceira força como opção de voto para a população, contribui decisivamente para o candidato que tiver mais votos aumentar sua chance de sacramentar a vitória nas urnas.
Exemplos disso não faltam, e não precisamos sair nem do estado. Basta dar uma olhada nas eleições de 2006 e 2010, quando os candidatos chamados nanicos, por ironia ou não do destino, forçaram a realização do segundo turno, que resultou nas vitórias de Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho, respectivamente.
Isso significa dizer que a diferença do primeiro para o segundo colocados não chegou a 1% do total de votos, em 2006 e de míseros 0,5% nas eleições passadas, quando Ricardo Coutinho venceu o primeiro turno com 942.121 votos, e disputou o segundo turno contra José Maranhão do PMDB, que obteve 933.764 votos.
Naquele momento, a soma dos candidatos chamados nanicos, liderados por Nelson Júnior (PSOL), foi 18.051 sufrágios, o que significa dizer que se a diferença tem ultrapassado esse quantitativo, o que seria apenas 0,65% do número de eleitores da Paraíba naquele ano, o segundo turno entre Ricardo Coutinho e José Maranhão não teria acontecido.
Entre uma eleição governamental e outra, a Paraíba vem crescendo em torno de 6,4%. Foi assim entre 2006 e 2010, quando o estado tinha 2.573.766 eleitores e passou para 2.738.313, um aumento de 164.547, ou 6,39%.
Esse crescimento projeta para 2014, 175 mil eleitores a mais no contingente apto a votar, e um eleitorado final superior a 2 milhões 913 mil, em condições de definir os rumos da Paraíba. Atualmente, já são mais de 2 milhões 840 mil eleitores no estado.
No campo político, a grande interrogação no momento, é se o senador Cássio Cunha Lima será ou não candidato ao governo, retirando da base governista o seu grupo de aliados que foi responsável por interiorizar a candidatura socialista em 2010, e tem em alguns casos sido tratado a pão e água dentro do governo.
No entanto, com uma pendência jurídica no caminho do senador, que pode vir a ser um risco desnecessário, arrisco dizer que o rompimento não acontecerá, o que provocará uma campanha polarizada entre Ricardo Coutinho e o ex-prefeito Veneziano Vital do Rego.
Em 2006, os candidatos nanicos somaram 30.292 votos e em 2010, foram mais nanicos ainda com apenas 18.051 votos. Dessa forma, se o primeiro colocado tiver pouco mais de 1% sobre o total de votos do estado no próximo ano, ele terá mais de 30 mil votos de vantagem sobre o segundo colocado. Dois por cento do total de votos, já serão 58.260 votos, o que pelo retrospecto das últimas eleições, significaria vitória no primeiro turno.
Então, cabe a pergunta: Quem será a terceira força a se apresentar como opção de votos para os paraibanos? Cássio Cunha Lima?; Luciano Cartaxo?; Major Fábio?; Davi Lobão?; Cícero Lucena?; Luciano Agra?.
Evidente que o nome que representa maior força é o de Cássio Cunha Lima, mas ainda falta algum tempo para que a Paraíba conheça quais são as reais estratégias do senador para a campanha do próximo ano.
Outras reais mudanças de cenário poderiam ser uma candidatura do PT, que seria capaz de arregimentar seus 200 mil votos, e levar a um segundo turno, ou ainda, um Luciano Agra, que testaria a força que lhe creditou os últimos dois anos como prefeito da capital.
Certo mesmo, é que apenas dois grupos, podem ser temerosos para situação e oposição, uma vez que a Paraíba ainda vive em sua história política a cultura de campanhas estritamente polarizadas, e que poderá mais uma vez ser à tona para o ano de 2014. É esperar para ver!