A artista plástica patoense, Fran Lima, recentemente deu uma entrevista para o jornalista Wandecy Medeiros. A entrevista foi publicada no periódico Folha Patoense, jornal parceiro do patosponline.com. Confira a entrevista e algumas produções dessa artista cujo nome já é bastante conhecido e divulgado em todo o estado.
Folha Patoense: Com que idade começou a desenhar e com que idade começou a pintar telas?
Fran Lima: Observação e ação me definem bem. Meu pai desenhava móveis por profissão. Acompanhava a realização de seussketches e, por vezes, dava-lhe sugestões. Assim, surgiu o gosto pelo desenho. Quanto à pintura em tela, aconteceu em 1994. Naquele fatídico ano perdemos Airton Senna, uma referência nacional unânime. Senti-me tocada e produzi minha primeira obra em óleo sobre tela que denominei de ?O Melhor?.
Folha Patoense: Qual o pintor que mais influenciou na sua obra?
Fran Lima:Como pintava apenas por hobby, não conhecia, nem por nomes, pintores consagrados. Certo dia, porém, meu marido presenteou-me com tantos livros e revistas sobre arte, que fiquei atônica. Eram biografias de artistas nacionais e internacionais, histórias da arte brasileira e mundial, análise de obras artísticas, assinaturas de revistas especializadas; enfim, foi um subsídio que me alinhou ao real caminho da arte quanto ao sentimento e experimento além das pinceladas. Em paralelo com esse embasamento teórico, tive a honra de conhecer seres humanos extraordinários que me auxiliaram, motivaram e influenciaram minha carreira. Dentre muitos, cito Miguel dos Santos, que, quando ainda amadora, tive o privilégio de receber, numa conversa informal, preciosas informações técnicas; Fred Svendsen, Diógenes Chaves e Raul Córdula são outros grandes amigos e mestres.
Folha Patoense: Como você vê o mercado das artes plásticas na Paraíba?
Fran Lima: A arte como meio de sobrevivência ainda é um desafio para muitos talentosos artistas. Vincent van Gogh, em seu tempo, foi considerado fracassado, especialmente pela razão de não poder custear suas próprias despesas. A realidade não mudou muito em nosso tempo. As dificuldades não se restringem às artes plásticas, mas às demais modalidades culturais. Contudo, existem iniciativas, como a Lei Rouanet, na esfera Federal, e fundos municipais de incentivo à cultura, que permitem o surgimento e continuidade de grandes nomes em diversos cenários das artes. Por outro lado, no caso das artes plásticas, as exposições são vitrines que permitem o acesso direto do artista aos seus ?clientes?. A comercialização de obras de arte é experiência ímpar, pois nivela a sensibilidade de quem adquire a obra com quem a produziu. É uma interação quase ?sobrenatural?. Por fim, posso dizer que existe mercado para artes plásticas em nosso Estado. Contudo, esse mercado exige trabalhos de qualidade e, ao mesmo tempo, alinhados às expectativas individuais dos adquirentes.
Folha Patoense: Como você classifica a sua pintura?
Fran Lima: Acho essa pergunta bastante pertinente. A classificação de pintura vai além das simples pinceladas em tela. O artista plástico, normalmente, identifica-se com determinados movimentos, mas não norteia sua vida profissional somente naquele caminho. Assim, posso dizer que o estilo expressionista predomina em meus trabalhos, especialmente quando recrio visões diferenciadas de mundo e não apenas o absorvo da forma que o vejo. Contudo, a partir do sentimento intrínseco, posso trilhar outras veredas e fomentar o desejo íntimo, que podem muito bem não serem expressionistas. Essa é a grande dádiva do artista: a liberdade.
Folha Patoense: Como você vê o atual momento das artes plásticas em Patos?
Fran Lima: A cidade de Patos não é diferente das demais cidades brasileiras. Contudo, os meios de produções culturais são perenes e não dão tréguas às dificuldades. Temos artistas em vários segmentos que elevam o nome da região das espinharas. O compositor Amaury de Carvalho, por exemplo, que embora não fosse natural da cidade, obteve grande êxito como compositor, autor de belíssimas canções. No hino da cidade de Patos, Amaury de Carvalho afirma ?...de artista a cidade é um esteio...? e ele tem razão; mas, talentos, às vezes, nascem e adormecem sem que tenhamos usufruído suas produções. O amadorismo precisa de incentivo, especialmente dos governantes, para que transcendam limites e atinjam patamares profissionais e de reconhecimento. Foi o mecenato dos Médici que incentivou artistas a tirarem a humanidade, como a Fênix, das trevas para a luz. Esse é o ponto de transformação. Assim, espero que os gestores públicos municipais compreendam e tenham a boa vontade de serem instrumentos dessa mudança em Patos.
Folha Patoense: Você já conseguiu ganhar dinheiro com suas pinturas?
Fran Lima: Felizmente. A arte me proporcionou grandes momentos. Tive a felicidade de ter as pessoas certas do meu lado. Sempre que desejei ir além tive apoio em meu lar. Posso dizer que nossa família passou apertos financeiros quando decidi participar de exposições nacionais e internacionais. Meu marido foi meu grande incentivador e patrocinador. Contudo, como ele diz, faz algum tempo que caminho com minhas próprias pernas. Meus trabalhos são bem conceituados e aceitos no mercado. Sinto-me orgulhosa e valorizada quando abro exposições e pessoas vêem, inclusive de outras distantes localidades, somente para adquirirem minha arte. É por essa razão que os meios de comunicação exercem importante papel quanto à divulgação.
Folha Patoense: Por que você gosta tanto de pintar rostos?
Fran Lima: Olha, Wandecy, eu Pinto por prazer. Compreendo ser prazeroso também para as pessoas a imortalidade por meio da arte. Existem muitas histórias e sentimentos envolvidos quando se retrata seres humanos. Isso é histórico. Tenho um cliente que compareceu a minha exposição com uma foto esmaecida de seu pai. Ele disse que aquele valioso papel era a única recordação de seu ente querido. Deixou-me sob muitas recomendações de segurança, pois não tinha outra fonte de imagem. O fato é que, dias depois, quando veio buscar sua tela, caiu em prantos. Abraçou-me e disse que aquele realmente era seu pai. Posso dizer que a tecnologia de imagem digital avançou e avança a passos largos; contudo, nada suplanta uma obra realizada por meio de pinceladas. Sei disso porque vejo o brilho no olhar das pessoas quando estão diante das obras de arte.