Sexta, 09 de Outubro de 2026
24°C 29°C
João Pessoa, PB

Rivaldo Medeiros: temperamental e determinado

Por: Redação
29/01/2013 às 02h40
Rivaldo Medeiros: temperamental e determinado

Por Damião Lucena:

Não tenho nenhuma razão para julgar-me suspeito em falar sobre a figura de Rivaldo Medeiros. Conheci praticamente todos os lados do seu temperamento e, em determinadas épocas, nos enfrentamos em diversas trincheiras, sem jamais fugir da coerência, em um período em que o jornalismo não era tão fácil. Fui por ele admirado, por vezes combatido, compreendido por uma ótica, por outra nem tanto. Chegamos ao confronto de ideias e, por vezes, um degrau a mais. Ao final saímos ilesos.

            Um político e um jornalista, ambos com compromissos diante da sociedade. O primeiro com a obrigação de realizar e o outro de fiscalizar e cobrar, em nome da massa. Discordava de alguns dos seus modos de tratar as pessoas, mas não lhe tirava o mérito das ações, traduzidas em obras que marcaram a sua passagem pelo Executivo e Legislativo, além da influência exercida, o que resultaria em duas eleições da esposa, confidente e responsável maior por aparar suas arestas, Geralda Freire Medeiros, da qual sempre tive a consideração, integrando o rol dos seus amigos.

            Talvez contra a sua vontade, em uma época de convivência difícil, tenha sido o destino que me confiou à missão de gravar o seu pronunciamento aos pés do túmulo de sua amada, disfarçado para que não me notasse, objetivando, pela imparcialidade, ecoá-lo no jornalismo da Rádio Itatiunga, por mim dirigido, constituindo na única empresa de comunicação que lhe prestara esse tipo de consideração, o que nos rendeu grande elogio, pronunciado de sua própria boca, no programa institucional da Prefeitura, transmitido apenas por nossa concorrência.

            O enunciado não constitui qualquer indício de ressentimento. Pelo contrário, demonstra a necessidade de reconhecer a história e revigorar a memória daqueles que deixam a terra e adentram na eternidade mantendo viva a lembrança pelos marcos resultantes das suas conquistas. Rivaldo o médico, referência sertaneja em suas especialidades e, mais tarde, o político, eleito prefeito em 15 de novembro de 1982, ficando a frente dos destinos administrativos de Patos por 8 anos, para ser sucedido pela própria esposa, dois anos depois de elegê-la deputada estadual. Como senão bastasse, em 1990 enfrenta com sucesso uma disputa de deputado federal e permanece no Congresso Nacional por quatro anos. Nada acontece em vão porque se vão os grandes homens perpetuam-se os seus grandes exemplos. O município de Patos se despede de mais um líder e o eterniza na galeria dos seus benfeitores. Um legado de 81 anos ao lado dos seus e que, finalmente, cumprindo uma determinação do destino, se encontra com Deus.

Damião Lucena

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.