A Polícia Civil de Uiraúna, cidade no Sertão paraibano a cerca de 464 km de distância de João Pessoa, investiga as suspeitas de que um ex-prestador de serviço da Delegacia Regional de Cajazeiras estaria cobrando de parentes de pessoas mortas para fazer o transporte dos corpos no 'rabecão', carro oficial da Gerência de Medicina e Odontologia Legal (Gemol).
De acordo com o delegado Cláudio Bezerra, que está à frente das apurações em Uiraúna, o serviço é gratuito e só deve ser realizado em casos de morte violenta, o que não justifica a cobrança da taxa de R$ 500 que estaria sendo feita pelo então funcionário.
Segundo o delegado, as vítimas só tiveram coragem de fazer as denúncias depois que souberam que o suspeito está respondendo a um inquérito no município de Sousa. Ele é investigado pelo suposto roubo de um cartão bancário, com o qual teria feito compras e saques no comércio da cidade.
Pelo menos cinco moradores da cidade de Uiraúna, pertencente à área de 24 municípios cobertos pela Delegacia Regional de Cajazeiras, procuraram a polícia para prestar queixa desde 19 de abril. Conforme o delegado, entre elas estão um padre. Duas mulheres da mesma família, a viúva e a mãe de um homem morto, foram à delegacia de Uiraúna nesta terça-feira (24) para dizer que foram vítimas do golpe. Segundo todas as vítimas, a taxa cobrada era de R$ 500.
"Ele alegava que, se as pessoas pagassem, ele facilitaria a perícia no local e as necrópsias nos Institutos de Medicina Legal de de Patos e de Campina Grande. Argumentava que tinha gente na frente e que iria agilizar o procedimento. Caso a pessoa não pagasse, ele ameaçava dizendo que não haveria velório e que o corpo seria levado direto para o cemitério", explicou Cláudio Bezerra.
Conforme o delegado, o ex-prestador de serviço pode ser indiciado pelo crime de corrupção passiva, porque apesar de não ser um funcionário público efetivo do governo estadual, ele estava a serviço do poder público. Agora, a Polícia Civil investiga se outra pessoa dava apoio aos golpes. "Como ele foi contratado por alguém dentro da Polícia Civil ou da Polícia Científica, pode ser que soubessem que ele fazia essas cobranças", revelou.
O delegado tem até o dia 19 de maio para concluir o inquérito. O depoimento do suspeito está marcado para a sexta-feira (27). Conforme a Delegacia Regional de Cajazeiras, o funcionário foi afastado das funções desde a denúncia de roubo do cartão de crédito.
Fonte: G1