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O outro lado do novo

Por: Redação Fonte: Epitácio Germano
09/01/2013 às 09h37
É bem verdade que a cada início de ano, junto com a passagem cronológica, a sociedade considera como objetivo principal em suas vidas a esperança para a chegada de novos tempos. Mas, não existe como esperar algo novo quando o convívio com o antigo ainda é a preferência.

Observando o noticiário da primeira semana de 2013, os fatos parecem ser uma reprise do ano anterior. Na região Sul as catástrofes climáticas atingem as regiões e parte da população fica desabrigada devido à falta de infraestrutura. No Nordeste, a seca, antes tão drástica, dá espaço ao esquecimento dos maiores em consequência das pequenas pancadas de chuva que amenizam o nosso tão seco solo.

Dentre as notícias, o fator climático e as temperaturas do verão sobrepõem à corrupção, que em outro momento não tão distante, ganhará novamente espaço na mídia, mudando apenas o nome dos personagens.

Avaliando este já conhecido contraste em um país tropical, o outro lado do novo são justamente nos números (des)conhecidos e não lembrados após cada problema superado provisoriamente.

Se o problema fosse números, o Governo Federal teria superado a média de investimentos para políticas preventivas contra desastres, quando ainda em 2012 contou com a maior verba disponível da última década no orçamento federal, somando o total de R$ 3,47 bilhões para soluções, quando fez o uso apenas de 13,6%. Quanto aos outros 87% do valor disponível, os recursos ficaram encaminhados para as obras de recuperação em locais já atingidos.

Pela lógica prevista no orçamento, houve mais dinheiro para o trabalho de prevenção, mas que na prática o uso concentrou-se em 25,6% para precaução contra 74% em contorno de outros estragos. Se de um lado os números ficaram submissos à água, de outro, as duas Medidas Provisórias de combate à seca (566/12 e 572/12) aprovadas pela Câmara Federal somaram o valor de  R$ 787,4 milhões.

Para alguns Institutos de Metereologia, as chuvas previstas para o primeiro semestre do ano poderão ser suficientes para mudança do cenário. Caso prevaleça a previsão, será importante guardarmos a lição deixada pelos últimos meses para o planejamento do futuro, independentes das condições.

Se o dito popular continuar mesmo conformado à prática ?O brasileiro só fecha a porta depois de roubado?. Esperemos então que os problemas sejam encarados apenas quando forem vistos, ao contrário, prever ou discutir o futuro será uma tentativa de má compreensão, restando apenas, o velho considerado como novo.

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Epitácio Germano Araújo Rocha
Bacharelando em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo
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