Sábado, 10 de Outubro de 2026
21°C 30°C
João Pessoa, PB

Seca, Política e Futebol

Por: Redação Fonte: Ricardo Souza
18/12/2012 às 12h09
2012 sem dúvida deixará para a sociedade memoráveis marcas em relação aos seus acontecimentos. Se de um lado houve surpresas, de outro o que era comum transformou-se em situação de polêmica.
 
Com as atenções voltadas para o início do calendário eleitoral que teve início em junho, mas que começou bem antes, muitos fatos foram esquecidos em implicação das expectativas plantadas.
 
Primeiro, o marco maior iniciou-se pela crise política econômica instalada na Europa, que em outros pontos, ficou em data pouco discutida no Brasil, mas que causa nestes últimos meses, efeitos aguçados ao bolso do trabalhador comum.  Fora desta margem, o certo é esperar os relatórios finais que não muito distantes de outros já estimados, devem aparecer com números semelhantes ao esperado pelos órgãos responsáveis pelo controle e planejamento às medidas.
 
Ainda no ambiente dos cálculos, os números parecem ter sido o principal e cruel empecilho quando colocado no papel em contraposição à paixão nacional dos brasileiros. Nunca se ouviu tantas críticas em referência à Copa do Mundo de 2014, quanto em este ano. Em questão, parece até que ninguém era conhecedor dos gastos que seriam orçados pelo título de sede mundial. Os investimentos antes mencionados, como uma marca para consolidação do avanço do país, assemelham-se, agora, a uma simbólica estrutura arquitetada em concreto e aço mordicados pelas construtoras. Até lá não será novidade se questionarem a Copa do Mundo é nossa?!
 
Exceto os três meses de disputa eleitoral, estes pontuados pelos grandes projetos avalizados. Em terceiro, a seca trouxe prejuízos calamitosos, e por que não afirmarmos, causas irreversíveis por algum período. Faltou água, planejamento público, aplicação correta nas medidas federais e o mais básico de qualquer processo de mediação, a informação. Se pararmos para referenciar as dificuldades enfrentadas pelo o homem do campo neste período de estiagem, escreveríamos páginas e demais páginas, mas a ausência de informação nos atendimentos públicos demonstrou uma barreira invisível entre as necessidades de urgência e as dificuldades naturais.
 
Sem qualquer demasia, mas para alguns agricultores foi mais fácil enfrentar o trabalho árduo causado pelas adversidades da seca de que se deparar com uma burocracia grossa em cumprimento de um direto básico: Dá vida a quem luta por ela. Como bem descreveu o saudoso jornalista Euclides da Cunha, em sua obra ?Os Sertões?, escrita em 1902, ?O sertanejo é, antes de tudo, um forte?.
 
Talvez, outros assuntos tenham até se referenciado pelos destaques da mídia, mas nenhum entre estes três foram tão públicos e notórios, quanto ao que ainda se atribui como surpresa, resultados em causas tão corriqueiras.

Epitácio Germano
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.