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Francisca: ontem de uns, hoje de todos...

Por: Redação Fonte: Ricardo Souza
08/10/2012 às 09h03

Na concepção real da democracia sertaneja, concluímos mais um processo eleitoral viciado, com registros repugnantes, patrocinado por dotados na teoria e desprovidos na prática. O saldo é positivo: venceu a melhor proposta, a maior história, o passado limpo, a ficha sem rasura, a força de uma mulher. Em alguns pontos do processo, a compreensão é de que o tempo do coronelismo continua vencendo em termos de igualdade. A imagem de Miguel Sátyro, o todo poderoso, que fugindo as regras tradicionais reunia os adversários para a oficialização das escolhas e divisão dos cargos, fugiu dos próprios descendentes que esqueceram o seu exemplo: o sobrinho de um governador passado, beneficiado por vários mandatos recebidos como presente do tio, hoje, no ostracismo da vida pública, se rebela para provar que realmente não tem liderança. Amarga a derrota da filha e acompanhando a decisão da esposa, beneficiada por dois mandatos coadjuvantes, tenta retornar ao bloco do qual fora praticamente expulso e, na ânsia de manter um novo espaço, amarga parte de mais um fracasso.

Voltando ao pleito e sua principal consequência, não temos dúvidas de que o município de Patos vive um momento ímpar. Coroando dois mandatos com um saldo altamente positivo o prefeito do presente, filho de um administrador do passado que há mais de cinco décadas já tinha visão de futuro, concluirá dois mandatos referenciando dois pontos fundamentais para a nova gestora: o primeiro direcionado ao exemplo a ser seguido na sequência de grandes obras e o segundo voltado para a necessidade de profundas mudanças, a partir da substituição de grande parte dos auxiliares, incompetentes pelo trato com a população, aqueles que fugindo a regra se esqueceram de que o governo deve estar sempre à disposição do povo e não o povo à contemplar o poder. Os que sentaram no trono e passaram a figurar como estrelas de um espetáculo ridículo, baseado na prepotência originada da falta de competência devem ser, fatalmente, substituídos e esquecidos. Também não se pode desconhecer o grande trunfo de uma vitória regida pela fortaleza, observando que a depender de grande parte do grupo de campanha, certamente a consolidação do tento ficaria como poeira no vento. Francisca Motta, a aprendiz da política de ontem, acumulando a experiência de um mandato de vice-prefeita e cinco de deputada estadual, a mesma que arregaçou mangas para fazer voltar nossa representação federal, é a maior responsável pela sua própria ascensão. Se muitas foram às tentativas de desmerecimento de sua histórica atuação, todas foram frustradas pela simples razão de que ninguém muda o curso da história. Analisá-la, porém, em termos de atuação executiva, antes de sua passagem pela prefeitura de Patos, é prematuro. No entanto, dizer que as expectativas não são as melhores possíveis é incoerente. Aos eleitores empolgados, aqueles que se vêm como donos da verdade e do poder, apenas um lembrete: quem foi candidata de alguns até ontem passa a ser observada como prefeita de todos a partir de agora. A escolha foi livre pelo direito e a missão é coletiva pelo dever. Vibrar é natural, comemorar é importante, contudo não esqueçamos que nada é mais forte do que a garantia da igualdade e o pleno respeito ao ser humano. Com o fim da divisão no processo de escolha ingressamos no início da união para que a Capital do Sertão da Paraíba seja maior e cada vez melhor. Enfim: Francisca ontem de uns e hoje de todos. Damião Lucena/MaisPatos.com
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