
A publicitária Danielle Dytz da Cunha Doctorovich, filha do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), esteve durante uma semana nos festejos do São João de Patos, no sertão da Paraíba, considerada a capital do forró do sertão da Paraíba. Ela foi hospedada na casa da prefeita Francisca Motta.
Danni já foi assessora de marketing de Motta e este é o segundo ano em que passa o São João em Patos. Ela é apontada pelas investigações coordenadas por Moro como uma das beneficiárias da conta em nome da offshore Kopek, aberta secretamente por Cunha na Suíça e alimentada com valores milionários pelo deputado. Segundo os investigadores, o dinheiro tem origem em propinas recebidas pelo parlamentar a partir do esquema de corrupção descoberto pela Polícia Federal na Petrobras.
Os investigadores da Lava Jato descobriram que a publicitária é beneficiária da conta secreta que recebeu US$ 1,5 milhão de 2008 a 2014 e tem como titular Cláudia Cruz, sua madrasta. Esta conta pagou compras milionárias feitas com cartões de crédito pela mulher e pela filha de Cunha exterior, segundo as investigações. Mas o deputado – que está com o mandato suspenso por tempo indeterminado e pode ser cassado em breve pelos próprios pares – e os advogados da família negam haver irregularidade a respeito da titularidade e da utilização do saldo da conta secreta.
Esse foi o principal motivo que levou a Justiça a aceitar a denúncia do Ministério Público Federal que transformou a madrasta de Danny e o próprio Cunha em réus no processo que pede a condenação dos três por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção. A Polícia Federal concluiu que o saldo da conta tem origem na propina recebida por Cunha para viabilizar a aquisição, pela Petrobrás, de metade do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011. Depois de duas decisões unânimes do Supremo Tribunal Federal (STF), o peemedebista agora é réu em duas ações penais da Lava Jato.