
A infância é quando ainda não somos. As imagens são de um carrossel... – Que volteia ao redor de si mesmo. O que se cria na infância?... – Castelos de areia, pois não? As coisas começam e terminam na infância. No máximo, uma formação que apenas sugere. E, se os pais são espelhos, quem sou eu?
A infância nos deixa apenas boas lembranças; e crescimento é sacrifício. E a cognição e moralidade são sacrifícios; e o conhecimento intelectual e cultural são sacrifícios; à familiarização com os códigos e regras são sacrifícios; o bom convívio e a integração social são sacrifícios... Mas, onde essas coisas entram? E sem todas elas, eu estarei condenado?
A infância é quase o vazio; um poço sem fundo onde brincamos de enchê-lo. Ali não se enxerga nada além do óbvio. A morte e a vida são brinquedos. Par ou impar?. A infância é (in)grata e faz do apego a sua precisão. Porém, não há julgamento prévio... – Até mesmo a ponderação divina, faz-se livre-arbítrio. A infância é o supérfluo. O mundo é mesmo o lobo-mau, o saci-pererê, a mula-sem-cabeça... "boi, boi, boi; boi da cara preta, pegue esse menino que tem medo de careta..."
Eu não quero carregar a importância da geração seguinte; quero apenas ser... A barriga está mexendo no ventre; é o coraçãozinho, ansioso; e, ele, pulsa; e, expulsa. É a vez do parto; e, eu parto, com vontade de ficar.
Professor e jornalista