
Às tardes de todos os dias, meninos escanelados e cabelos ao sol, caçavam sonhos, que surgiam de toda parte, colorindo o céu da rua-mundo. Não havia muita perspectiva para quem nascesse ali. A miudez da vida era o ato de todas as cenas e o único futuro... - Permanecerem meninos.
As borboletas pareciam ficar mais feias à cada nova primavera. Não que elas se deixassem abater de propósito, mas aqueles voos desengonçados facilitavam a traquinagem dos filhos-do-vento. E, isso, não era mais um desafio de verdade.
As mais lindas borboletas costumavam aportar no jardim, que ficava dentro do convento. E transpor aquele muro - Que divisava o céu do inferno - Era uma façanha conseguida apenas por quem fosse quase-anjo. E lá íamos nós em busca do Sagrado...
As pobres borboletas, então, capturadas, naquele Éden, eram trancafiadas numa prisão de mentirinha para que morressem no ocaso daquele mesmo dia, encurtando ainda mais a sua existência, já resumida por entusiasmo natural. A temperança não é qualidade de nenhum menino. Isso, também, não quer dizer que eles são cruéis. Meninos se bastam no existir do próprio fôlego.
No depósito de vidro, as coitadinhas batiam as asas, atônitas, sob os olhares insensíveis dos algozes-moleques, que se embrenhavam bairro adentro, após a proeza. As pegadas no chão de terra batida, indicava o rumo que ousaram tomar. As pegadas no chão de terra batida, indicavam o rumo que ousaram tomar. Um bando! Mas, nunca se ia tão longe; nem, tampouco, podia ser uma viagem mais demorada. Afinal, crianças ainda tem por quem voltar.
E eram de todos os tamanhos, modelos, formatos, cores... - Não eram mais feias nem bonitas. Aquelas borboletas-matizes eram uma representação da vida humana em toda a sua essência. Nos potes, aos montes, não perdiam a graça nem a leveza. Procuravam a luz de nossos olhos e ali morriam, inocentes e imaturas, feito nós meninos.
Professor e Jornalista