
A criatura sinistra faz rondas repetidas.
Mendiga admiração e toma comprimido para dormir.
Maldiz com elevado ódio os contemplados do Bolsa Família, os sem-tetos, os sem-terra e, demonstra muito orgulho dos parentes que estudam no ITA e na USP.
Nunca ouviu um poema de Drummond.
Não leu Crônicas nem Cora.
Assiste prazenteiro e alienado a queda da democracia e comemora soltando fogos de artifícios e falando palavras vãs.
É peemedebista, mas queria ser Brigadeiro ou gerente de Associação Militar.
Ignora minha paciência para seus comandos, minhas dúvidas e tensão pelo tempo de crise e barbárie e, digitando a própria solidão, emite parecer sociológico sobre a conjuntura política atual.
Ao mínimo de alegria que atribuo a Deus nessas horas, fazer silêncio de morte ainda é um imenso barulho.
Penso nas crianças e choro.
Zenilda Lua