
O sonho da conclusão de um curso superior mexe coma cabeça de qualquer estudante universitário. É o caso dos 16 alunos do 10º período do curso de Odontologia do Centro de Saúde e Tecnologia Rural (CSTR) Campus Patos da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Porém, com a adesão da instituição à greve dos professores no mês de maio deste ano, durante cinco meses, o andamento do semestre letivo foi prejudicado. Com esforço, o cronograma de aulas foi comprido e encerrado oficialmente no inicio do mês de novembro, quando o correto seria terminar em agosto. Perecia estar tudo pronto para receberem o diploma. Contudo, novos empecilhos surgiram, dificultando ainda mais a realização da colação de grau dos alunos, como explica o aluno Lucas Richter de Oliveira Dantas, um dos prejudicados com a postergação.
“Essa greve se estendeu até o mês de outubro e, apesar de não termos, de fato, calado grau, mas com todos os contratos efetuados, realizamos as festividades de formatura. Então, vem o constrangimento de você comemorar algo que ainda não está completo. No estatuto da universidade está o garantido o direito do aluno solicitar uma antecipação dos estudos para concluir a carga horária que resta. Devido esse período atípico, pois já são quase cinco meses de greve, e nós tivemos que esperar esse tempo de paralisação, a turma entrou com esse direito solicitando a antecipação dos estudos. No dia 19 de outubro, na volta às aulas, muitos alunos deram entrada nesse processo que foi aberto aqui em Patos e enviado para Campina Grande para ser protocolado e deferido para nós cumprimos o cronograma de conclusão do curso”, afirmou, Lucas.
Segundo Lucas, apesar de toda documentação ter sido encaminhada até a reitoria da UFCG, em Campina Grande, a universidade devolveu a documentação alegando que os documentos deveriam ser assinados pelos professores das respectivas disciplinas como forma de comprovar sua veracidade. “Nós demos entrada no processo de colação de grau apresentando toda a documentação necessária, tendo em vista que não existe um edital ou protocolo adequado com os tipos de documentos exigidos, não sendo transparente aos alunos. Infelizmente, alguns processos retornaram com a justificativa de que a documentação estava incompleta, faltando assinatura de professor, causando até a suspeita da questão das notas, uma vez que apenas os professores tem acesso ao controle acadêmico. Então, enviamos print da página com as notas. Os ‘nada-consta’ da biblioteca e clínica-escola, trabalhos realizados, ou seja, foi a mesma documentação que colegas da nossa turma, que conseguiram colar grau durante o período grevista, apresentaram, portanto, facilitando para uns e para outros não”, ressaltou.
Lucas Richter relata os prejuízos que estão sendo causados devido à demora na realização da colação de grau e entrega dos diplomas. “Estamos perdendo oportunidades de emprego, tendo em vista que a previsão para a colação de grau era para agosto desse ano. Já se aproximando o final do ano, ficamos impedidos de nos inscrevermos nos processos de pós-graduação, mestrado e residência. Todos exigem o certificado ou diploma de conclusão. Inclusive, uma colega nossa foi aprovada para o mestrado de reabilitação oral da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP), precisando estar com essa documentação já no dia 15 de janeiro, mas nossa colação de grau só acontecerá no dia 29, então, ela perderia essa oportunidade difícil e única, tudo por conta da falta de vontade da universidade em nos atender”, alegou.
Uma representação da turma, formada por cinco alunos viajou até Campina Grande para buscarem explicações no prédio da reitoria da UFCG. De acordo com Lucas, ao darem entrada no local, eles foram acompanhados pelo professor Paulo Bastos, que já foi diretor Campus de Patos. Em conversa com o vice-reitor da universidade, Vicemário Simões, foi procurado saber o por que da demora na realização da colação de grau, que está marcada para o dia 29 de janeiro de 2016. “A gente procurou saber o por que dessa demora. Ele justificou que essa semana haverá colação de grau nos Campus de Campina Grande e Cuité e a prioridade é para os estudantes desses Campus. Só que o nosso processo é de adiantamento assegurado pela universidade, então, não devemos ficar de lado”, disse.
Eles tiveram de ouvir, inclusive, uma alfinetada do vice-reitor: “Recebemos um comentário bastante infeliz no seu posicionamento quando ele falou que na solenidade de colação de grau não seria adequado que houvesse poucos alunos na solenidade. Ao nosso ver, a universidade estaria mais preocupada em transparecer uma quantidade de alunos e uma boa aparência, mas não está preocupada com a situação do alunos que passou cinco meses esperando o fim da greve e perdendo oportunidades de emprego”, lamentou.
Agora, resta apenas a esperança de que a reitoria da UFCG resolva atender a demanda desses alunos e antecipe a data da colação de grau, realizando, assim, a tão sonhada conclusão do curso e ingresso na carreira profissional. “Recebemos uma promessa de que, na próxima semana, os processos serão analisados e caso não houver nenhuma pendencia, se dará a autorização da colação de grau”, pontuou.
maispatos.com