A amizade se define, quase sempre, como uma relação de interesse mútuo. Não há afetividade no termo circunstanciado. O que chamamos de bem-querer, dentro do quesito da passionalidade é, na verdade, uma troca de favores, - aviltado à condição do urgente-servir. Utilizamo-nos da seleção, sob critérios próprios, e nunca aleatórios, para promover cada nova amizade - O que acaba se configurando numa autodefesa. Pois tememos aquilo que não conhecemos. Antecipamo-nos, portanto, ao que pode dar certo. Aquilatar... Não, sentir! Por isso, todas as escolhas são preconceituosas."Só gosto de quem gosta de mim". Nunca ofertamos a outra face, como prerrogativa divina. Quando muito, ignoramos e fugimos. Ouvir aquilo que nos convier se torna a ilusão do apuro. Autenticidade é formação de caráter! Ou a vida não é autoral, pergunto. Amizade verdadeira é o contraditório; respeitar as diferenças como exercício das relações humanas... Que o banal se baste no que é banal. Não somos obrigados a cultuar o novo. Há de se buscar inspiração no que é puro. Amizade é solidão. É sofrimento. É perdão. É culpa. Amizade é comunhão com Deus. Mas, nós somos um bando de humanos sem fé. Vivemos de aniquilar o outro, sob a justificativa de que essa é a única condição para viver bem nesta terra. Competimos uns com os outros. "Assim percebemos que há dois tipos de comunhão -- a comunhão com Deus, que depende inteiramente no nosso andar na verdade; e a com homens (até com irmãos) que é sujeita à aprovação ou rejeição dos homens. Dizendo que nós devemos aprovar somente o que Deus aprova (uma afirmação com que eu concordo) não muda os fatos. Irmãos, às vezes, aprovam o que não devem e rejeitam o que devem aceitar. Deus sabe a diferença, e julga apropriadamente; mas o "partido" nem sempre age como Deus quer. Quando obedecemos o evangelho, individualmente, nós nos entregamos a Deus. Quando chegarmos ao fim da vida, teremos que prestar contas a ele, individualmente (Mateus 16:24"; (...) Em sonho, tive essa visão: Corro avesso ao que de mim se parte; e alcanço as cinzas da admoestação - Não paro para ouvir, sigo sempre a luz que reflete à minha própria imagem e que me sorri dizendo que aquele é o caminho - Enquanto o outro de mim, ainda parado, à porta do vale, mestiço conquistador de coisa alguma, é holográfico. A reunião dos valores terrenos é atribuída apenas aos poetas. E eles sempre foram Santos.
Misael Nóbrega de Sousa - Professor e Jornalista