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Mãe, me escuta!

Por: Redação Fonte: Zenilda Lua
19/10/2015 às 18h04

Na estreiteza da manhã uma vozinha arguta se levantava e na ponta dos pés requeria afago. Repetia-se com a esperança dos que não tem garantia nenhuma:

- “Mãe, me escuta”.

A criaturazinha fazia de tudo para chamar a atenção; batia palmas, dava uns assobiozinhos afracados, abria o velcro da sandália, ensaiava uns passinhos de  dança engraçada, encostava a cabeça no vidro que reveste a parede e soprava causando um pequeno embaçamento do lado de dentro.

Pegou todos os folders da Campanha de Combate e Conscientização ao Câncer de Mama e com eles brincou de ser voluntário da amorosidade. Abriu e fechou a  bolsa da mãe umas setenta vezes. Escorregou pelos vãos do sofá para obter atenção materna, mas ela continuou perseverando nas vias labirínticas da falta de afeto. Visualizando e respondendo mensagens e ouvindo áudios pelo whatsapp.

Aquele toquinho de gente morena deve contar uns quatro anos e uma saúde invejável. Trocamos uns olhares sinceros e sorrisos desses bem encomendados. Eu também aguardava  enquanto ele  desafiava o silêncio daquela secura de povo, tendo os olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. 
Catorze adultos incluindo sua mãe  esperavam na recepção de um conhecido  Hospital.

Com exceção de um idoso que cochilava e de uma jovem que sentia dores, todos  usavam seus celulares, notebook, ipod, tablet e outros aparelhos que permitem que a indiferença  se instale.

Subi para realizar a mediação agendada. Da escada  acenei pra ele. Devolveu-me  a mão direita posta.

Atravessei  toda a ala hospitalar  pensando no Drummond. Ele  propôs uma canção que fizesse acordar os homens e adormecer crianças.

Estamos cada vez mais fomentando relações frias e distantes. Embriagados de mesmices caminhamos ao contrário das ternuras.

É preciso cavoucar a cura no oitão do simples. Rebuscar esperanças e abraçar as boas  causas assim como faz os semeadores da bem aventurança.

Viva o Outubro Rosa.

 Palmas para os professores! Parabéns, médicos!

Amemos mais nossas crianças!

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