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NÃO CONHEÇO MAIS O MEU PAI

Por: Redação Fonte: Misael Nóbrega
16/10/2015 às 17h22
NÃO CONHEÇO MAIS O MEU PAI

Olhei demoradamente tentando reconhecê-lo. Não haveria de ser a mesma pessoa... - que me contava histórias para dormir. A sua voz também em nada lembrava o tom firme de antigamente. Estava bem menos confiante; e temeroso, ainda por cima. Física e mentalmente debilitado. Era como se ensaiasse uma despedida. Onde foi parar aquele homem que tinha a força de Hércules? Braços que tantas vezes carregaram-me no colo; e, que, fechavam-se em abraços. Quantas noites não ficou acordado velando o sono aflito do menino doente... E para quê? Eu nunca o agradecia pela manhã. Não há nada que mensure a relação de pai e filho. É quem sabe um vinculo Santo. E quanto mais corremos para dentro dessa verdade, mais nos afastamos dela. Quando do processo de iniciação, fomos "treinados" para não amar; desprender, voar. Salte! Você está pronto! Ledo engano. Nunca conseguiremos alcançar os sonhos. Alimentamo-nos de esperança; e, isso só prolonga o nosso sofrimento. Temos que nos entender com a autorialidade da vida. E nem aceitando a nós mesmos compreenderemos os seus esforços. Não conseguia enxergar no meu pai nenhuma culpa ou remorso. Se algo dele me fez mal, não estava mais presente. Eu queria ser amável. Porém, só provaria o quanto sou egoísta. Não fui atento à sua dor. E ele era eu. Logo, o segredo não é amar a si próprio, é mesmo amar o outro, como exercício divino Uma vida inteira bem ali, desperdiçada, para que eu achasse o meu caminho. Meu pai havia se transformado em exemplo.

Misael Nóbrega - Professor e Jornalista

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